terça-feira, dezembro 22, 2009

Time


I spy a girl with a book in hand
Playing games with her body to forget about a man
I spy a man with a book in hand
He's abusin everybody would agree that he can

Is it working?
Is it working for you?
Is it worth it?
Hide the eyes from the truth

I spy a girl with a falling man
Working nights, sleeping days to forget about the past
I spy a man with a twisted plan
Playing love with his body to escape the pain

Is it working?
Is it working for you?
Is it worth it?
Hide the eyes from the truth

Maybe time, can
Fill the empty heart inside
Maybe time, can
Wipe the tears away

(David Guetta)

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Meu domínio não tem fronteiras


Desculpe por invadir seu espaço. Mas meu domínio não tem fronteiras. Realmente não reconheço o limite para minhas vontades. É algo novo. Fresco e irresistível como uma virgem. Descubro cada dobra do tempo como se fosse infinito e me perco e me encontro em cada segundo vivido. Quando começa a cobrança os minutos pesam. Quando descubro o novo, os segundos voam. Como conciliar a vivência e a arte, a pele e a alma, o novo e o prescrito...

Em 12.11.09

Eu não preciso de você

Eu achei que precisasse de você. Quase enlouqueci quando você se foi, abandonando nossos momentos, memórias, risadas, olhares, músicas preferidas, implicâncias, desentendimentos e a certeza de que tudo sempre acaba em novas risadas.
Passei um tempo vagando pelas ruas e locais que me faziam lembrar você. Achei que fosse sufocar com a distância, com a sensação de saber que você não estava mais ao alcance de umas quadras.
Tempo difíceis. Não sabia que podia me sentir tão fragilizada, e não estava gostando nem um pouco da situação. Ser invadida por uma vontade irresistível de chorar no meio da rua definitivamente não estava me fazendo bem.
O tempo passou. E me deu um belo presente: a certeza de que realmente não preciso de você. Às vezes levamos tanto tempo para perceber coisas tão óbvias. Na verdade, o mais demorado não é perceber, e sim absorver essa certeza. Agora sou uma pessoa melhor. Para mim. Para você. Para nós.

Em 02.11.09


O curioso disso tudo é que as histórias se repetem. Levei cerca de 14 meses para superar algo que não tinha que ser. E agora tudo de novo. Tudo diferente, sofrimento do mesmo jeito.
Por que temos que ser tão intensos em tudo? Não seria mais fácil não haver posse, não sentir a perda, e sim felicitar-se com a felicidade de quem se ama? Ainda há um longo degrau na evolução... confesso. Para mim não é tão simples. Mas opto por ao menos tentar.
Live and let live.

Um dia qualquer

Era manhã. E como em muitas outras vezes, fui acometida por aquele sentimento familiarmente angustiante.
Joguei-me ao rodapé de uma parede sem móveis, como se aquele fosse o único lugar no mundo capaz de me abrigar. Queria sentir o chão frio em minhas bochechas incandescentes, enquanto meu corpo convulsionava pressionando o taco inerte.
Em meio à poça de lágrimas e muco formada instantaneamente, perguntava-me por que. Por que eu? Por que assim? Não conseguia me sentir feliz nem realizada, não importava o que fizesse. Meu corpo e alma pesavam como âncoras de um navio abandonado.
Sentia-me só, desamparada, tolhida, sem forças para erguer-me novamente. A visão cedia lugar a uma névoa, turvando tudo ao meu redor. Não importava mais onde estava, e sim o fato de meu corpo estar completamente colado ao chão, minha face mergulhada em minhas próprias secreções. Queria ficar na posição em que realmente me sentia internamente: ali, no chão, humilhada ante à minha própria impotência de mudar.
Os gemidos e soluços nunca foram ouvidos, nem lamentados ou apaziguados. A conversa era comigo mesma. A dor que me perseguia só poderia ser abrandada por mim.
Tentei abrir os olhos outra vez, ainda sem sucesso. A essa altura, não havia mais do que pálpebras inchadas onde antes havia olhos. Um esforço maior, e supero a dor de me forçar a enxergar novamente.
Levanto. Caminho até o banheiro. Miro-me no espelho: essa deformidade sou eu mesma? Ainda há alguém aí? Lavo o rosto dolorido e inchado. Limpo o chão molhado. Vou fazer o almoço. Mais um dia começando.

Em 05.10.09

Quien fuera

Estoy buscando una palabra
En el umbral de tu misterio
Quien fuera ali baba
Quien fuera el mitico simbad
Quien fuera un poderoso sortilegio
Quien fuera encantador.

Estoy buscando una escafandra
Al pie del mar de los delirios
Quien fuera jackes coustou
Quien fuera nemo el capitan
Quien fuera el batiscafo de tu abismo
Quien fuera explorador.

Corazon, corazon obscuro
Corazon, corazon con muros
Corazon que se esconde
Corazon que esta donde corazon
Corazon en fuga, herido de dudas de amor

Estoy buscando melodias
Para tener como llamarte
Quien fuera ruiseñor
Quien fuera lennon y mcartney,
Sindo garay, violeta, chico buarque,
Quien fuera tu trovador.

Corazon, corazon obscuro
Corazon,corazon con muros
Corazon que esconde
Corazon que esta donde el corazon
Corazon en fuga, herido de dudas de amor (corazon)

(Silvio Rodriguez)

segunda-feira, novembro 30, 2009

The Guilty Ones

Foto: Marian Starosta

(O Corpo é o Culpado)

Cantam: Wendla, Melchior, Garotos e Garotas.

Wendla
COMEÇOU DE UM JEITO
DOCE E FELIZ
ESSA CAIXINHA
ONDE A GENTE GUARDOU
O QUE A GENTE SEMPRE QUIS

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA UM SONHO?

Wendla
VEM ME ACORDAR PRA SOFRER OUTRA VEZ

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA A GENTE?

Wendla
A GENTE INSISTE NO SONHO…

E AGORA O CORPO É O CULPADO, SIM
PORQUE
NÃO DEIXA ESQUECER

E DEPOIS
SÓ NÓS DOIS
DOIS QUE AGORA ESTÃO NO CHÃO
MURMURAM POR UM QUASE PERDÃO

OH…

Melchior
CORAÇÃO DISPARA
SEM COMPREENDER
TODA JANELA REFLETE O SEU OLHAR
E TUDO AGORA É VOCÊ

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA UM SONHO?

Melchior
VEM ME ACORDAR PRA MORRER OUTRA VEZ

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA A GENTE?

Melchior
A GENTE É FEITO DE SONHO

Todos
E AGORA O CORPO É O CULPADO, SIM
PORQUE
NÃO DEIXA ESCAPAR

NÃO PASSOU
NÃO SUMIU
E AINDA AS MÃOS SOBRE AS MÃOS
IMPLORAM POR UM QUASE PERDÃO

Garotos e Garotas
OH…

Todos
E AGORA O CORPO É O CULPADO, SIM
PORQUE NÃO DEIXA ESQUECER
E DEPOIS, SÓ NÓS DOIS
DOIS QUE AGORA ESTÃO NO CHÃO
MURMURAM POR UM QUASE PERDÃO


Do musical O Despertar da Primavera, de Möeller Botelho

domingo, novembro 29, 2009

Conversa de maluco

- Sabe de uma coisa?
- Hãn...
- Eu acho que... sei lá... eu me tornei uma pessoa que não tem vergonha de mostrar o próprio corpo...
- Ah, que legal! Você tá magra, né?
- Não, não é isso... Pelo contrário, ainda não me sinto bem com meu corpo dessa forma.
- Então não entendi.
- É que... por exemplo, não tenho mais vergonha de sentar de pernas abertas.
- Ah....
- Não me preocupo mais tanto com isso.
- Poxa, que legal. Nunca tinha ouvido alguém falar que perdeu os bons modos de uma forma tão delicada...
- (!)

sexta-feira, novembro 27, 2009

Sem Fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

(Chico Buarque -1967)

quarta-feira, novembro 18, 2009

A Viagem

Brilha brilha estrelinha... e assim começa mais uma viagem...
um isqueiro vermelho, um odor de rosa amarela
cinzas na estrelinha...
um momento sem ar, uma crise de tosse
cinzas na estrelinha...
uma leveza nos gestos, um piscar de olhos
cinzas na estrelinha...
um movimento lento, uma gargalhada
cinzas na estrelinha...
o olhar cúmplice, as mãos que se tocam
cinzas na estrelinha...
o amor incondicional
a paz inabalável
a sensibilidade aflorada
e a certeza de que a felicidade é palpável
Brilha brilha estrelinha...

Em 18.11.09

terça-feira, novembro 17, 2009

Antagonismos


Interessante como nós, seres humanos, temos a estranha capacidade de desejarmos coisas totalmente antagônicas, muitas vezes ao mesmo tempo.
A busca incessante pela liberdade... não queremos horários, não queremos receber ordens, não queremos travas ao nosso prazer, não queremos críticas nem desaprovações. Queremos o infinito, o melífluo, o tudo poder, o tudo querer, o abismo de sonhos aos nossos pés.
E, quando sozinhos, queremos o chão, o certo, o conforto de um alguém que te espere em casa, de quem você dependa e que dependa de você para todos aqueles momentos maravilhosos compartilhados. Queremos a rocha, a certeza, o compromisso, o carimbo, o contrato, as regras.
O problema é quando se deseja tudo ao mesmo tempo... amor sem cobranças, sonhos sem regras, prazer sem chão, compromisso sem carimbo... não deve ser fácil atingir o equilíbrio. Ainda mais a dois.
Mas os seres humanos também possuem a estranha capacidade de serem teimosos e flexíveis. Teimosos em insistir no que acreditam, e flexíveis para se adequarem quando a realidade é amargamente diferente.
Acho que sou um pouco de tudo isso. Romântica e aventureira, busco a paz e a loucura, encontro sonhos e frustrações em meu caminho, mas não me dou por vencida. Não agora. Não quando compreendo a dimensão de minha insignificância perante a imensidão da vida. Sorrio.

sábado, outubro 24, 2009

Abismos

O abismo que construo ao meu redor
não tem intenção de ser
um poço para a morte de almas
que tentam se aproximar
Apenas preciso de proteção
preciso afastar os laços
que emaranham os sentimentos
em desilusão, decepção
Após cansar de esperar
desisti de tentar entender
e meus braços abertos
foram cerrados em escudo
cavaram bem fundo a trincheira
que me afasta
da dor de ter e perder
da dor de esperar e frustrar
da dor da eterna solidão.
Não quero mais elogios
não quero afagos
nem atenção
Já quis muito
agora não quero mais
Quero distância
e paz.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Here's to life

No complaints and no regrets.
I still believe in chasing dreams and placing bets.
But i have learned that all you give is all you get, so give it all you got.
I had my share, i drank my fill, and even though i’m satisfied i’m hungry still
To see what’s down another road, beyond a hill and do it all again.
So here’s to life and all the joy it brings.
Here’s to life the dreamers and their dreams.
Funny how the time just flies.
How love can turn from warm hellos to sad goodbyes
And leave you with the memories you’ve memorized
To keep your winters warm.
There’s no yes in yesterday.
And who knows what tomorrow brings or takes away.
As long as i’m still in the game i want to play
For laughs, for life, for love.
So here’s to life and all the joy it brings.
Here’s to life, the dreamers and their dreams.
May all your storms be weathered,
And all that’s good get better.
Here’s to life, here’s to love, here’s to you.
May all your storms be weathered,
And all that's good get better.
Here's to life, here's to love, here's to you.

(Shirley Horn)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Culpa por não sentir culpa

Sinto culpa por não sentir culpa.

Deveria sentir-me assim?

Há tempos não há certo e errado
mas o mundo continua igual:
os lábios risonhos,
as mãos estendidas,
e os olhos céticos.
Suave repressão,
calada reprovação.
A vida é doce
amarga, somente eu
ao ignorar as regras
desrespeitar os costumes
dar as mãos para o incerto
e mergulhar sempre no abismo
de um desconhecido conhecido.
Ainda aproveitando o caminho,
tropeçando nas curvas
ignorando o destino
fugindo das rotas ordinárias...
E na falta de algo para padecer
culpa por não sentir culpa
amor pelo não amor
paixão pela falta
raiva pelas fraquezas humanas
minhas, tuas, nossas...
Ela ainda me persegue.

Soneto do Amor Demais

Não, já não amo mais os passarinhos
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.

Não amo mais as sombras do arvoredo
Em seu suave entardecer de ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho medo.

Tenho medo de amar o que de cada
Coisa que der resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada

E que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que de mim só quer amor - mais nada.

(Vinicius de Moraes)

terça-feira, setembro 22, 2009

Offer

Who, who am I to be blue?

Looking my family and fortune
Looking my friends and my house

Who, who am I to feel dead?
And, who am I to feel spent?
Looking my health and my money

And where, where do I go to feel good?
Why do I still look outside me
When clearly I've seen it won't work?

Is it my calling to keep on when I'm unable?
Is it my job to be selfless extraordinaire?
And my generosity has me disabled by this
My sense of duty to offer

And why, why do I feel so ungrateful?
Me who is far beyond survival
Me who's seen life as an oyster

Is it my calling to keep on when I'm unable?
Is it my job to be selfless extraordinaire?
And my generosity has me disabled by this
My sense of duty to offer

And how, how dare I rest on my laurels?
How dare I ignore an outstretched hand?
How dare I ignore a third world country?

Is it my calling to keep on when I'm unable?
Is it my job to be selfless extraordinaire?
And my generousity has me disabled by this
My sense of duty to offer

Who, who am I to be blue?

(Alanis Morissette)

terça-feira, setembro 01, 2009

A noite do meu bem

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor ... o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem !

Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.

(Dolores Duran)

domingo, agosto 23, 2009

Romance Ideal


Era só uma menina
E eu pagando pelos erros que eu nem sei se cometi

Era só uma menina
E eu deixando que ela faça o que bem quiser de mim
Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal
Eu não pedi que ela ficasse
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui
Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros
Que eu nem sei se cometi
Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal

(Paralamas)

quarta-feira, agosto 12, 2009

I try to put it in the past

I try to put it in the past
Hold on to myself and don't look back

So let me go, just let me fly away
Let me feel the space between us, growing deeper
And much darker everyday
Watch me now and I'll be someone new
My heart will be unbroken, it will open up
For everyone but you

Even when I cross the line
It's like a lie I've told a thousand times

And part of me still believes
When you say you're gonna stick around
And part of me still believes
We can find a way to work it out
But I know that we tried everything we could try
So let's just say goodbye forever

I don't wanna dream about
All the things that never were
And maybe I can live without
When I'm out from under
I don't wanna feel the pain
What good would it do me now?
I'll get it all figured out
When I'm out from under

(Britney Spears)

segunda-feira, agosto 10, 2009

Amor Amputado

Quando alguém te oferece o mundo em forma de amor e você rejeita, sem motivo plausível ou consistente, isso pode ser mais doloroso do que um punhal ao atravessar a carne.

Os restos de algo não consumado se instalam como tumores, ora crescendo, ora diminuindo, mas sempre latentes. Aguardam o momento de se espalharem e consumirem a vida que há no corpo antes sadio.

A primeira etapa é tentar não despender muita atenção ao intruso, ignorá-lo ao máximo. A segunda etapa é a tristeza sem motivo, num misto de saudade do que podia ter sido. A terceira etapa é a raiva causada pela impotência de mudar o que lhe foi imposto. E essa raiva seguirá sempre, misturada à tristeza e à saudade. O tumor cresce. E a quarta etapa não esconde mais o estrago físico causado pela dor, mágoa, desilusão.

Dói como um membro amputado. Não deveria mais doer, mas ainda dói. Há algo aqui dentro sempre doente desde então.

Em 09.08.09

quinta-feira, agosto 06, 2009

E as fronteiras se foram

Você me fez esquecer fronteiras. E retornar à inocência de uma travessura inconsequente. Olhos que encaram e fogem, mãos que se tocam de leve, corpos quentes que, de tão próximos, trocam o luxurioso calor do desejo. Esquecer onde estamos, com quem estamos, o que poderá acontecer. Não, nada disso cabe no agora. O momento é perfeito do jeito que ocorre, sem planos, sem julgamentos. E as fronteiras se foram... nenhum espaço entre nossos lábios, nenhum outro alguém no mundo. Sabemos que não estamos sozinhos, mas a naturalidade das ações fez de nosso momento algo invisível. E eterno. Repetimos até cansarmos. E recomeçamos. E conversamos. Enfim, nos entendemos. Obrigada pela confiança.

Palavras simples para coisas simples: carinho, sinceridade, desejo, amizade.

Você se importa?

Temos necessidade de saber que fazemos falta para alguém, que se importam conosco. Será essa necessidade o motivo de criarmos laços, amizades, casarmos, procriarmos? Geramos relações e filhos que dependam de nós.
Alguém vai notar se você não sair de casa amanhã? E depois? E se você não sair de casa a semana toda, alguém perceberia? (O chefe não conta.)
O quanto você se importaria se ninguém se importasse?

Em 05.08.09

sexta-feira, julho 24, 2009

Sei lá, a vida tem sempre razão

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
Só sei que ela está com a razão

A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não

Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

(Vinicius de Moraes)

quinta-feira, julho 09, 2009

Cicatrizes

Você criou uma redoma em torno de si. Uma verdadeira muralha. Por algum tempo imaginei que pudesse transpô-la, e em minhas tentativas me machuquei bastante. Em momentos acreditei que estava progredindo rumo ao topo. Em outros, porém, você reforçava suas defesas, e no arame farpado deixei pedaços de minha carne. Não sou do tipo que se entrega sem lutar, ou que desiste sem tentar. Entretanto, percebi que não era páreo para seu muro medieval. Não conseguiria entrar a não ser que uma porta fosse aberta. Você não abriu. O tempo passou. Agora não adiantam portas abertas, pois não quero mais entrar. E quanto as minhas cicatrizes, não se preocupe, elas desaparecerão.

segunda-feira, julho 06, 2009

Gostar de quem gosta de mim

Há um tempo decidi só gostar de quem gosta de mim. Não é como se eu pudesse programar sentimentos, e sim evitar nutrir afeição exagerada por aqueles que não me dão o devido valor. Então, com base nessa decisão, comecei um processo de te matar dentro de mim. Te sufoquei até você agonizar. Fiquei satisfeita com o resultado, foi melhor do que esperava – tive paz no coração. E assim segui, dia após dia, até descobrir que estava enganada. Pude ver nos seus olhos o quanto gosta de mim, e não estou falando apenas de amizade. As suas palavras dizem não, mas seus gestos, expressões, seu comportamento, sua insistência em estar sempre por perto – tudo indica o sim. E pude constatar, não sem medo ou frustração, que te deixei agonizante dentro de mim, mas você sobreviveu.

Em 16.06.09


E agora você finalmente optou pelo suicídio. Obrigada.

Em 03.07.09


Em algum momento terei paz. Rehab again.
No momento, vagando por submundos de imagens milimetricamente elaboradas, palavras artificialmente lançadas, gestos ridiculamente calculados. Um desfile de modas, exagerado e fresco como a juventude. Vazio e fútil - por momentos senti-me assim também, envolta em um clima superficial no qual ninguém ganha nada. E para também não perder, mergulhei fundo, chafurdei na lama de luxúria, ebriedade e crueldade. Sem meio termo. Sem consciência. Sem medo. Vingar meu espírito com o corpo. Fazer sofrer, ignorar, usar, descartar. Um ciclo no qual as pessoas se entretêm e acabam presas, seduzidas por uma realidade desfigurada. Alguém te machuca, você machuca alguém. Alguém te descarta, você descarta alguém. Na corda bamba. Roleta russa. Julgo severamente e aceito generosamente. Diversão casual. Risadas desconexas, pensamentos idem, mas o objetivo é comum. Diversão superficial. Satisfaz como um carinho momentâneo, dói como um leve arranhão. Apenas sigo.

domingo, junho 21, 2009

Tudo o que escrevo

Clarice Lispector... escrevendo!

Tudo o que não posso dizer, escrevo. Tudo o que não quero dizer, escrevo. Também escrevo coisas que posso, devo e quero dizer. Essas eu publico. O resto eu guardo, escritas em folhas de agenda, guardanapos, embalagens, papéis rasgados, amassados, rotos, de diferentes cores, texturas e tamanhos – variam conforme a ocasião, a necessidade e meu estado de espírito. Algumas coisas eu escrevo apenas na mente, e as levo para onde vou. Outras mantenho online, e as releio quando minha emoção pede. Outras, ainda, ficam esquecidas até que casualmente as reencontro. Não importa o momento em que as tenha escrito, nem a mídia onde as registrei, nem mesmo a forma como as escrevi: a releitura sempre compensa.

sexta-feira, junho 12, 2009

Confissão

Meu relacionamento com pessoas do sexo masculino sempre foi um tanto quanto conturbado. Um misto de repulsa e desejo. Um ódio alimentado que sucumbiu à percepção da fragilidade da paixão. Ainda assim resisti. Não iriam me ter sem sofrimento nem dúvida nem tortura. Afinal, para que eles servem? Não vivi bem até aqui, sozinha, com mãe e irmã? Não há espaço para você. E assim se arrastaram os meses. E assim fui tapando o sol com uma peneira bem fajuta. Quando dei por mim, estava experimentando um incômodo nunca antes sentido, uma saudade de não sei o quê, uma vontade de voar sem igual, uma cumplicidade que não sabia poder existir. E ao perceber isso, me apavorei. Mas não fui covarde, decidi tentar. Larguei todas as minhas crenças, preconceitos, ideais, medos... Medo não, melhor diria pavor de me machucar. Sim, o que construí para mim foi um pavor imenso de me entregar, de deixar meu coração indefeso nas mãos de um monstro, ou seja, um homem. E antes que pudesse voltar atrás, decidi me entregar. Vivi a coisa mais linda que eu jamais poderia imaginar. Descobri sentimentos e sensações que se eu pudesse obrigava a todos a experimentar. Simplesmente não dá para explicar em palavras. Apenas quem já amou e foi correspondido à altura sabe do que eu estou falando. E quando isso ocorre na adolescência, quando o mundo é novo, o corpo é novo, a mente é nova, tudo toma uma dimensão indescritível. É como se você respirasse o ser amado. Ser compreendido sem palavras, ser surpreendido com a perfeição da escolha, compartilhar lágrimas de puro êxtase... Não, não dá para explicar. Isso precisa ser vivenciado. Uma vez eu vi o amor: tive uma epifania enquanto era rodopiada no ar. Foi como se não possuísse corpo, não havia peso, havia apenas um campo ensolarado coberto de tulipas... amarelas. Descobri então que o amor é amarelo, e não vermelho como imaginava. E descobri também que o amor não é cego e nem transpõe todas as barreiras. O amor machuca, humilha, te destrói para te fazer cativo. Mas te eleva a níveis de felicidade não alcançados de nenhuma outra forma. Mas como então viver o lado bom sem o lado mesquinho do amor? Sinceramente não sei... Parece que os relacionamentos possuem uma forma bem peculiar de se deteriorarem. É peculiar porque nós vemos, eu vejo, você vê. Mas ou ignoramos a situação ou até mesmo contribuímos para a ruína. Viver na corda bamba cansa. Mas ainda não encontrei nada mais recompensador na vida. Talvez o amor incondicional, pelo próximo, pelo estranho, aquele amor que não espera nada em troca. Mas esse amor é tão difícil de praticar... Por mais que pratique esse amor universal, sinto falta do amor a dois, do amor romântico, do amor paixão. Sempre fui uma sonhadora. Mas antes da entrega, sonhava com os dois pés fincados no chão. Sonho é sonho, realidade é sofrimento. Após minha vivência inesquecível, maravilhosa, conturbada, violenta, surpreendente, agonizante, torturante, deliciosa, resolvi nunca mais deixar de viver nada por medo. Não há recompensa por fazer nada. Não há ganho sem perda. Não há escolha que não exclua algo. E, principalmente, não há acerto sem erro. Ao ficar escondida em casa por medo de se entregar e errar, uma pessoa nunca irá acertar. Não se acomode no marasmo do medo da dor. Entregue-se, machuque-se, levante-se, extasie-se, brigue, erre, aceite, acerte. Então, está esperando o quê?

quinta-feira, junho 11, 2009

Bisturi sem gume

Hoje acordei com uma estranha vibração por todo o corpo. Algo como um formigamento sem dor, ou um choque elétrico sem machucar. E vibrando fiquei por cerca de duas horas, entre cochilando, delirando ou pensando, a vibração descompassada, pois não seguia a respiração ou o pensamento. Sonhei enredos esquisitos, como filmes de Bergman ou Kubrick. E ria ou me entristecia ao acordar, ao bel prazer do rumo de meus devaneios. Assim fiquei até decidir lutar contra a mesmice de um dia fadado ao lugar comum. Levantei-me e joguei-me à vida, ignorando a chuva fina, as nuvens esmaecidas e a névoa branca do dia cinza. As ruas pareciam gigantescos incensários, opacas e esbranquiçadas. Por diversas vezes vacilei em meus pensamentos – deveria eu ter cedido ao destino de um dia comum? Não... acho que não. A tarde me trouxe sorrisos, raiva, arrependimento, gratidão, compaixão, esperança, gargalhadas, quase lágrimas e muita, muita esquisitice. Ainda estou esquisita. É como se movesse meu corpo embaixo d’água. Caminho como se minhas pernas pesassem; obedecem com dificuldade. A tonteira que me acompanha se intensificou junto com o enjôo, e a dor nas têmporas veio após a sensação de desmaio. Não sei o que tenho, mas algo está muito errado. Aliás, algo continua muito errado. As mãos frias, os arrepios, o torpor. A vibração se foi, mas deixou algo tão complexo e incômodo em seu lugar. Há algo em mim que preciso expurgar. Enquanto eu nutrir qualquer indício de apego a ele, não posso extirpá-lo. Meu bisturi perdeu o gume.

quarta-feira, junho 10, 2009

Tão óbvio



A verdade é tão clara que até estranhos veem.
Mas mesmo assim insistimos em não enxergar.
bitter sweet taste

domingo, maio 31, 2009

Propriedade

Liberte-se e liberte seu amor.

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você." [atribuído a Mário Quintana - autoria não comprovada por mim]

Se amor tivesse alguma coisa a ver com posse ou propriedade, no mínimo você teria que pagar IPTU. Pense nisso antes de querer alguém como seu objeto pessoal. Formalmente ou não - sim, há pessoas que não formalizam, mas querem te prender da mesma forma.

Se algum dia meu amor sufocou, a vítima fui eu, de minha própria imaturidade. E se algum dia o amor de alguém me sufocou, a vítima também fui eu, de minha própria insegurança.

Basta! Não há necessidade de vítimas no amor. Mas se for para morrer... que seja de amor!

(eu, num dia em que tudo e todos me pertencem... sem posse... só amor)

domingo, maio 24, 2009

Canção de Pedroca

Para você, meu amigo, em homenagem a nossas risadas insanas das insanidades da vida.

Quando nos apaixonamos
Poça d'água é chafariz
Ao olhar o céu de Ramos
Vê-se as luzes de Paris

No verão é uma delícia
A brisa fresca de Bangu
Mesmo um cabo de polícia
Só nos diz merci beaucoup

Eu ouço um samba de breque
Com Maurice Chevalier
Bebo com Toulouse Lautrec
No bar do Caxinguelê

Daí ninguém mais estranha
O Louvre na Praça Mauá
E o borbulhar de champanha
Num gole de guaraná

Cascadura é Rive Gauche
O Mangue é Champs Elisées
Até mesmo um bate-coxa
Faz lembrar um pas-de-deux
Purê de batata roxa
Parece marron glacé

(Chico Buarque / Francis Hime)

Almost



Rehab almost done. Can't love what kills me.
And can't kill what I love. But I can let time do its work.
Almost there.

domingo, maio 17, 2009

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? – me perguntarão.
– Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? – Tudo. Que desejas? – Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.

(Cecília Meireles)

quinta-feira, maio 14, 2009

A Mistake

I'm gonna make a mistake
I'm gonna do it on purpose
I'm gonna waste my time
'Cause I'm full as a tick
And I'm scratching at the surface
And what I find is mine
And when the day is done, and I look back
And the fact is I had fun, fumbling around


All the advice I shunned, and I ran
Where they told me not to run, but I sure had fun
So I'm gonna fuck it up again
I'm gonna do another detour
Unpave my path
And if you want to make sense
Whatcha looking at me for?
I'm no good at math
And when I find my way back
The fact is I just may stay, or I may not
I've acquired quite a taste
For a well-made mistake
I want to mistake, why can't I make a mistake?
I'm always doing what I think I should
Almost always doing everybody good
Why?
Do I want to do right?
Of course!
But do I really want to feel I'm forced to answer you?
Hell, no!
I've acquired quite a taste
For a well-made mistake
I want to make a mistake, why can't I make a mistake?
I'm always doing what I think I should
Almost always doing everybody good
Why?

(Fiona Apple)

terça-feira, maio 12, 2009

Sexy Lady


Momento sexy lady, porque todos nós temos várias facetas.

I’m like spice and
if you can’t deal with it, don’t even try me
Now I’m what men desire
cause I’m tired of being smart
Good girls are good girls
but bad ones get more from pleasure
I’m not ashamed of what can I get with beauty
I’m ashamed of wasting my time with foolish ideals
So, watch me now going real low
Feel my hips shaking
Lose your breath and wish my attention
Watch me, but don’t you dare touch me
cause I’ll never be yours
Now I’m a sexy lady
cause I’m tired of being smart
And you, rs… you are just toys
that fill my desires and fantasies
My sensual side wants more
of your devotional begs
But don’t you ever honey me
cause I’m not your babe
Now I’m just like you: a player
a delicious one… danilicious ;-)

Lembrete

Lembrete para mim mesma: deixar de ser idiota.

segunda-feira, maio 11, 2009

Rehab

Hoje dei entrada na reabilitação. Como todos os viciados, um pouco tarde demais. Como todos os viciados, só após muito sofrimento. Como todos os viciados, após o mal do corpo chegar à alma e vice-versa. Mas se houve mudança, há esperança. Não que eu goste de esperança. Prefiro fatos, resultados, ações. Então é assim que acordo hoje: analisando fatos, colhendo resultados, pondo em prática ações.

"It's like I checked into rehab
And baby, you're my disease" Justin Timberlake

No primeiro dia as coisas não são tão difíceis. Há a vontade de mudar. Há a perspectiva do amanhã sob outra perspectiva. E isso anestesia um pouco todo o incômodo e dor de mudar. Mas apesar de toda dor, mudar é preciso, é premente, é urgente.
Algo começou devagar, assim, como quem não vai alterar nada. Mas as palavras escritas, as atitudes repetitivas, os sinais emitidos não deixaram dúvida. Chegou o momento.

"Sofro, mas eu vou te libertar." Raul Seixas

Minha clínica será a própria vida. Não tenho como fugir à realidade. Pensei em me esconder, em fugir, em sumir. Vã crença de que isso amainaria alguma angústia. Facilitaria o começo, mas não garantiria a continuidade do sucesso. A empreitada é longa, dolorosa e difícil. Mas vários já seguiram esse caminho. É a saída inevitável após tantas tentativas mal-sucedidas.

"Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado" Chico Buarque

Agora será assim: pó de pirlimpimpim

domingo, maio 10, 2009

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)


Isso vai mudar. Já já.

sábado, maio 09, 2009

Eternamente esse gosto de nunca e de sempre



Esquisito. Dia esquisito. Sentimento esquisito.
Palavras esquisitas que tive que ouvir.
Sons esquisitos que tentei ouvir.
Mundo esquisito que ora me acolhe ora me engole.
Sucumbi hoje. Chorei hoje. Sorri hoje.
Ri de coisas sérias e verti lágrimas por coisas bobas.
Desejei dizer tudo o que sinto. Desejei me esconder da vida.
Sensação de que pode ser a última vez.
Preciso dizer logo, algo me diz que não haverá mais chance.
Não quero mais sentir esse sentimento esquisito.
Não quero mais achar que não há outra chance.
"Eternamente esse gosto de nunca e de sempre.
"

Ah, sim, a velha poesia...

Poesia, a minha velha amiga...
eu entrego-lhe tudo
a que os outros não dão importância nenhuma...
a saber:
o silêncio dos velhos corredores
uma esquina
uma lua
(porque há muitas, muitas luas...)
o primeiro olhar daquela primeira namorada
que ainda ilumina, ó alma,
como uma tênue luz de lamparina,
a tua câmara de horrores.
E os grilos?
Não estão ouvindo lá fora, os grilos?
Sim, os grilos...
Os grilos são os poetas mortos.

Entrego-lhes grilos aos milhões um lápis verde um retrato
amarelecido um velho ovo de costura os teus pecados
as reivindicações as explicações - menos
o dar de ombros e os risos contidos
mas
todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte
as explosões de cólera
o ranger de dentes
as alegrias agudas até o grito
a dança dos ossos...

Pois bem,
às vezes
de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que
parece que nada tem a ver com os ingredientes mas que
tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse
gosto de nunca e de sempre.

(Mario Quintana)

Dumb

I'm not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But having fun
I think I'm dumb
Maybe just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy

My heart is broke
But I have some glue
Help me inhale
And mend it with you
We'll flow around
And hang out on clouds
Then we'll come down
And I have a hangover
Have a hangover
Have a hangover
Have a hangover

Skin the sun
Fall asleep
Wish away
The soul is cheap
Lesson learned
Wish me luck
Soothe the burn
Wake me up

I'm not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But having fun
I think I'm dumb
Maybe just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy

I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb

(Kurt Cobain)

sexta-feira, maio 08, 2009

Chegar ao fundo

Gosto de chegar ao fundo para ter impulso suficiente.

quinta-feira, maio 07, 2009

Nunca vou te perdoar por isso...

Menino, nunca vou te perdoar por isso
Por engaiolar meu amor
Por podá-lo como a um bonsai
ao seu bel-prazer
Brinca com ele como brincarias
com um filhotinho
Dá o brinquedo e tira
confunde, engana, despista
Mas acarinha e diz que ama
te preocupas e observas meus passos
Menino, por que bagunças meu coração?
Não me quer perto, não me quer longe
Não me quer para agora, não me quer para sempre
E não me quer em outros braços
outros beijos, outros laços
Por que não me deixa ir?
Menino, nunca vou te perdoar por isso

Em 06.05.09

domingo, maio 03, 2009

Eis a questão

Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.

(Shakespeare - Hamlet)

domingo, abril 26, 2009

Engolir ou Vomitar

Minha garganta dói. É sempre assim quando tento engolir algo maior do que posso suportar. Acordo sentindo uma felicidade melancólica ao ver o sol pendurado no céu azul.

Meu interior se revira enquanto meus olhos turvam. Triste ansiedade por nada. O frio que me envolve não está vindo lá de fora, eu sei. E esse vazio... sei que não sou só eu.

Passos errantes o dia todo. Acabo no mesmo lugar. Ainda não consigo engolir. Nem gritar. Só posso pular, cantar, dançar. E acabo exausta no mesmo lugar. Meu dia não tem fim.

A tosse e os engasgos que nutriram a insônia me acompanham. Sabem que ainda não engoli. E não têm intenção de ir embora. Vão ficar por aqui, junto com o ardor e a dor.

Insisto em mostrar que não há nada para sair de mim. Mas os espasmos não ligam, querem expulsar algo. O que querem expulsar? O que está completando meu vazio? O que está esvaziando meu ser?

Chegue mais perto, dúvida. E me chicoteie com sua certeza. Que eu já não posso mais duvidar. Nem estar certa. Quero engolir ou vomitar.

Sou meu próprio cafuné

Eu sou meu próprio pranto, meu acalanto, a mão que fere e resgata. Sou meu próprio armário de segredos escondidos e sonhos guardados. Sou meu berço e meu túmulo, a letra na minha epígrafe e na minha lápide.

Sou meu próprio algoz, desferindo golpes cruéis de compaixão. Ou meu próprio guerreiro, resgatando mistérios renegados. Sou a briga, a discussão, a inquisição. Sou brisa, alento, tempestade. E sou meu próprio furacão.

Sou minha própria justiça e condenação. Sou minha própria absolvição e perdão. Sou cura, sou doença. Sou minha própria crença. Sou doçura e amargor. Sou minha própria dor.

E quando, vencida, deito exausta.. sou meu próprio cafuné.

Em (insônia) 25.04.09

sábado, abril 25, 2009

Sua Estupidez

Meu bem, meu bem
Você tem que acreditar em mim
Ninguém pode destruir assim
Um grande amor
Não dê ouvidos à maldade alheia e creia
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo
Meu bem, meu bem
Use a inteligência uma vez só
Quantos idiotas vivem só
Sem ter amor
E você vai ficar também sozinha, eu sei porque,
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo
Quantas vezes eu tentei falar
Que no mundo não há mais lugar
Pra quem toma decisões na vida sem pensar
Conte ao menos até três
Se precisar conte outra vez
Pense outra vez
Meu bem, meu bem, meu bem, eu te amo

Meu bem, meu bem
Sua incompreensão já é demais
Nunca vi alguém tão incapaz
De compreender
Que o meu amor é bem maior que tudo que existe
Mas sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo
Eu te amo
Eu te amo

(Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

O que eu ofereço

Uma vez alguém perguntou o que eu tinha para oferecer. Eu disse a esse alguém que ele não tinha a menor ideia. E é claro que não tinha. O que ofereço é algo puro, intenso e delicado. É sincero, profundo e abundante. Mas também frágil e finito. Sim, transpassa suposições. Não adianta tentar entender ou ignorar. O que eu ofereço simplesmente persiste. Precisa ser experimentado, vivido, alimentado, compartilhado. Não é algo que se peça, ou se exija, ou se finja. É algo que se doa sem ninguém pedir. E quando vivenciado, inesquecível. O que eu ofereço cuida, protege, briga e acalenta. É capaz das maiores loucuras, mas também das melhores intenções.
Ele é finito, mas a fonte é inesgotável. O ciclo termina. E renasce para um novo alguém. Um alguém que saiba receber, que aceite sentir o mesmo, que não negue o óbvio. Um alguém com coragem de viver o que ofereço. Que aprecie uma risada gostosa, um abraço apertado, uma lágrima sincera, um carinho sem hora, um olhar cúmplice, um beijo terno, um suspiro descompromissado, um agrado sem por quê, um sonho compartilhado, um toque indecente, uma palavra amável, um gesto oportuno.
Alguém?

quarta-feira, abril 22, 2009

A Despedida

A despedida não foi tão ruim quanto eu imaginei. Nem tão boa. Foi o que tinha que ser. Saudade, dúvida, afastamento e proximidade calculados. Um sorriso, um olhar. Um gesto contido, um beijo descuidado. Uma brincadeira, uma afirmação. As dúvidas vão embora. Sigo em frente. Melhor que antes, mais convencida de que não sou a exceção. E a regra é clara: ele não está tão a fim de você. Sem meias palavras, sem interpretações do óbvio. O momento em que um não é simplesmente... um não. Estou em paz.
Estava falando de amor. Nada mais.


Falando de Amor


Eu podia ser seu espinho
Ser a pedra no seu caminho
Seu ciúme doentio
Mas eu estou falando de amor
Eu podia ser sua tara
A ferida que nunca sara
Te humilhar, te dar na cara
Mas eu estou falando de amor

Eu estou falando de amor
E não da sua doença
Falando de amor
Eu estou falando de amor
E não do que você pensa
Falando de amor

Eu podia ter o segredo
Pra te transformar num brinquedo
E te deixar morrendo de medo
Mas eu estou falando de amor
Eu podia ser seu escravo
Pra você deixar de quatro
Me fazer de gato e sapato
Mas eu estou falando de amor

Eu estou falando de amor
E não da sua doença
Falando de amor
Eu estou falando de amor
E não do que você pensa
Falando de amor

Eu podia ser um mistério
E viver cercado de estórias
Só te olhar do jeito mais sério
Mas eu estou falando de amor
Eu podia ser a ternura
Sem desejo, beijo, nem sexo
Ser somente a história mais pura
Mas eu estou falando de amor

(Leoni)

sábado, abril 11, 2009

Caixa de Pandora

É impressionante, mas quando estamos apaixonados as coisas bregas de repente começam a fazer sentido. Coisas como ‘te amo pra sempre’, ‘você me completa’ e ‘não vivo sem você’ subitamente se tornam verdades irrefutáveis. Mentimos e acreditamos piamente em nossas mentiras. Pior: somos felizes assim, mesmo que por pouco tempo. Há algo mais grotesco do que olhar nos olhos de alguém profundamente apaixonado e dizer: ‘sinto muito, mas acho que a gente não vai dar certo’? Dói dizer isso, dói ouvir isso. Mas parece que não cansamos de buscar novamente aquele momento em que acreditamos em ‘te amo pra sempre’, ‘você me completa’ e ‘não vivo sem você’... Dizem que na caixa de Pandora só há um mal guardado, e esse vale por todos. Chama-se Esperança.

terça-feira, abril 07, 2009

Você e a Noite Escura

Um pouco de lirismo para essa noite escura....

Às vezes eu me sinto um fantasma
Arrancando flores no jardim
À meia- noite
Penso em você e sigo despedaçando
Pétalas ao vento
Na tempestade
Pétalas vermelhas
Tô com saudade
De você, de você
E as ondas vêm me cobrir na noite escura
E as ondas vêm me cobrir na noite escura
Às vezes eu não sei se é a noite
Ou se é a vontade de te ter agora
Agora
Eu penso em você e sinto a tempestade
Desabar por dentro e por fora
Eu penso em você e sinto toda a vontade do mundo
De te ter agora, agora
Você
Agora

(Lobão)

Noite Escura

Noite escura de lua quase cheia, eu num ônibus, longe de tudo.
Música nos ouvidos, óculos escuros e lágrimas nos olhos, mais salgadas do que meu corpo embebido em maresia.
Pergunto-me: sua alma é livre?

Senti algo me prendendo fortemente hoje, e não foi apenas por não ter como fugir de uma situação sem contrariar ou aborrecer os demais. Era algo além, e mais profundo. Era algo em mim de tempos imemoriais. Forço a lembrança, nada vem. Lembro-me pequena polindo as grades de minha gaiola, mas quando isso começou exatamente?

Nem em sonhos consigo sair da gaiola. Isso tem me sufocado. Por anos. Por uma vida. Dou meus passeios, mas sempre volto, o que adianta? Se essa é a minha referência, como criar asas? Luto intensamente com meu íntimo, mas ando cansada dessa batalha. Não me dou por vencida; não me aguento em pé. Carrego sempre os dois lados da medalha comigo.


domingo, março 29, 2009

Um dia para mim

Hoje acordei com vontade de escrever, mas sem nenhuma inspiração. Noite mal dormida, pensamentos, lembranças, projetos e até mesmo decisões vagavam pelas paredes e teto do meu quarto madrugada adentro. De olhos abertos no escuro, via cada uma emergir e esmorecer no labirinto de minhas loucuras. Essa noite nem desejei dormir. Estava pacífica com o caleidoscópio de emoções e questionamentos.

Ao acordar (será que dormi?) vejo pingos na janela, e escuto aquele som gostoso da chuva fina caindo nas plantas, pedras, asfalto, na vida lá fora. Eu aqui dentro, envolta em meu edredon preferido, abro um sorriso. Sou feliz. Estou em paz.

Mais um dia para me encontrar. Mais um dia para me perder. Estou no meu canto, meu recanto, meu espaço, meu aconchego. Aqui sou eu, sou nua, sou crua. Aqui sou o que quero e não o que queres. Meu pensamento vagueia e desvia de ti, nem que seja só por hoje.



Dedico essa música que adoro a um ex(?)-amigo:

Every time I think of you
I get a shot right through
Into a bolt of blue
It's no problem of mine
But it's a problem I find
Living the life that I can't leave behind
There's no sense in telling me
The wisdom of a fool won't set you free
But that's the way that it goes
And it's what nobody knows
And every day my confusion grows

Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for the final moment
You say the words that I can't say

I feel fine and I feel good
I feel like I never should
Whenever I get this way
I just don't know what to say
Why can't we be ourselves like we were yesterday
I'm not sure what this could mean
I don't think you're what you seem
I do admit to myself
That if I hurt someone else
Then I'll never see just what we're meant to be

(New Order)

domingo, março 22, 2009

Sanctuary

Who needs the sun, when the rain's so full of life
Who needs the sky, when the ground's open wide
It's here in your arms I want to be buried
You are my sanctuary

Who needs a smile, when a tear's so full of love
Who needs a home, with the stars up above
It's here in your heart I want to be carried
You are my sanctuary

Who needs the light, with the darkness in your eyes
Who needs to sleep, with the stars in the sky
It's here in your soul I want to be married
You are my sanctuary

(Spoken:)
And the earth was void and empty
And darkness was upon the face of the earth

Is all of this pain so necessary
You are my sanctuary

Surely whoever speaks to me in the right voice

Him or her I shall follow
As the water follows the moon, silently

(Madonna)

quinta-feira, março 19, 2009

Dicotomia

Cambaleio entre a sanidade e a loucura
e torço palavras pra moldar minha dor
Quando grito, temo que ninguém me ouça
então choro e rio intensamente
para provar que ainda estou viva

Estico as mãos e estendo os braços
Despejo loucuras e desfaço ilusões
Invento sentidos e ignoro razões
Faço nós e desamarro laços

Em 19.03.09

sexta-feira, março 13, 2009

Música para Mim

Isso... encha meu coração com suas palavras mágicas. E esvazie minha mente. Os sinais errados correm frouxamente por meu corpo. Apague-os. Sinto a melodia dar cadência ao meu pulsar. Fico mais leve... ligeiramente torpe. Não quero ir a lugar algum. Ao contrário, quero paralisar meus desejos. Sentir somente a transformação interior. Se olhar para trás, verei destroços de sonhos. Ao olhar para a frente, terra fértil. Convença-me a nunca voltar. Ajude-me a seguir. Não tão depressa... mas constante. Posso até correr, cair, desde que possua forças para levantar e seguir. É o momento. Página em branco. Consciência serena de quem tentou o possível. Sempre.

Em 13.03.09

segunda-feira, março 09, 2009

Por que complicar?

Apesar de estar tudo doendo do lado de fora, sinto algo em mim que sorri, que luta, que vive, que ainda acredita na simplicidade das coisas. Estou profundamente machucada, mas pulsante, ávida pelo próximo passo. A intensidade da queda me assusta, confesso... mas não me desanima... há tanta beleza nesse mundo de contrastes... nesse mundo tão intenso como eu. Não há como desistir. As dificuldades sempre podem se tornar piores. E pior pode se tornar também minha insistência em acreditar que algo de bom está ali fora, só aguardando o momento certo.

Minhas horas confundem-se com os segundos e os minutos e as semanas e os meses... quando dou por mim, viajei durante horas em um minuto... ou passei meses que poderiam ser resumidos em segundos de emoção sem fim... e a semana que não teve mais do que 60 minutos? A tênue linha que separa a sensação de tempo da contagem humana dos dias pregou-me peças... Como contarei meus últimos meses? Como contarei meus últimos dias? Como contarei minhas últimas horas? Intensos, entediantes, doloridos. Paradoxalmente, conflituosos, divertidos, necessários.

Sou uma espécie de esponja (será por isso minha empatia pelo Bob Sponja?), absorvendo tudo ao meu redor, filtrando muito pouco, e me envolvendo quase sempre. Acabo sofrendo junto com os que tenho em alta estima, independente se deveria ou não sentir assim, se deveria ou não deixar meu apreço à mostra, para ser flagelado pelos menos sensíveis. As possibilidades de lidar com tais peculiaridades são as mais variadas. Por enquanto sei que estou me expondo, mostrando a face, baixando a guarda.... mas há muito por vir.

Em 09.03.09