quinta-feira, setembro 24, 2009
Culpa por não sentir culpa
Deveria sentir-me assim?
Há tempos não há certo e errado
mas o mundo continua igual:
os lábios risonhos,
as mãos estendidas,
e os olhos céticos.
Suave repressão,
calada reprovação.
A vida é doce
amarga, somente eu
ao ignorar as regras
desrespeitar os costumes
dar as mãos para o incerto
e mergulhar sempre no abismo
de um desconhecido conhecido.
Ainda aproveitando o caminho,
tropeçando nas curvas
ignorando o destino
fugindo das rotas ordinárias...
E na falta de algo para padecer
culpa por não sentir culpa
amor pelo não amor
paixão pela falta
raiva pelas fraquezas humanas
minhas, tuas, nossas...
Ela ainda me persegue.
Soneto do Amor Demais
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.
Não amo mais as sombras do arvoredo
Em seu suave entardecer de ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho medo.
Tenho medo de amar o que de cada
Coisa que der resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada
E que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que de mim só quer amor - mais nada.
(Vinicius de Moraes)
terça-feira, setembro 22, 2009
Offer
Looking my family and fortune
Looking my friends and my house
Who, who am I to feel dead?
And, who am I to feel spent?
Looking my health and my money
And where, where do I go to feel good?
Why do I still look outside me
When clearly I've seen it won't work?
Is it my calling to keep on when I'm unable?
Is it my job to be selfless extraordinaire?
And my generosity has me disabled by this
My sense of duty to offer
And why, why do I feel so ungrateful?
Me who is far beyond survival
Me who's seen life as an oyster
Is it my calling to keep on when I'm unable?
Is it my job to be selfless extraordinaire?
And my generosity has me disabled by this
My sense of duty to offer
And how, how dare I rest on my laurels?
How dare I ignore an outstretched hand?
How dare I ignore a third world country?
Is it my calling to keep on when I'm unable?
Is it my job to be selfless extraordinaire?
And my generousity has me disabled by this
My sense of duty to offer
(Alanis Morissette)
terça-feira, setembro 01, 2009
A noite do meu bem
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor ... o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem !
Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.
(Dolores Duran)
