quarta-feira, agosto 27, 2008

Natimorto

Corro para ti como mariposa em busca de luz
Sei que o final é sempre o mesmo
Mas teimo em errar sem refletir
O pior é ter que conviver com a certeza
De um amor natimorto

Dói, mas gosto de sentir seu cheiro
Confunde, mas gosto de ouvir sua voz
Arranho, mas gosto de marcar sua pele
Mesmo sabendo que nada do que faço
Marca sua alma de verdade

Não sou ingênua
O que faço me machuca
O que sinto não atenua
A vontade de me sentir acolhida

Já tem data o final
Só finjo que não sei
O quanto está perto
De eu perder as esperanças

Choro sabendo como devo parar
Sofro sabendo que não vale a pena
E ainda assim tento te dizer
Que ainda resta em mim afago

Devemos mesmo sufocar amor?
Devemos mesmo sabotar sonhos?
Devemos mesmo desacreditar amizades?
E quando devemos ser nós mesmos?

Eu sou e só dói...

Em 27.08.08

segunda-feira, agosto 25, 2008

Devaneio

Encaro seus olhos como se quisesse penetrar em seus pensamentos.
Você faz uma careta.
Desarma-me.
Abraço-te apertado como se quisesse gravar teu cheiro em minha pele.
Você beija meu ouvido.
Irrita-me.
Cheiro seu pescoço como se dependesse dele para respirar.
Você me aperta.
Desconcentra-me.
Beijo sua boca como se fosse matar minha sede pelo novo.
Você corresponde.
Esqueço tudo.
Entrego-me.

Em 29.07.08

quarta-feira, agosto 20, 2008

Minha definição de paixonite

garoto, você bagunçou meu coração...
e o pior: sei que você não sabe o que está fazendo
também não sei o que estou fazendo
talvez tentando me dar um rumo
talvez exatamente o oposto
quero experimentar você
avançar por todos os limites
sem perguntar se posso
você já deixou...
agora sou eu quem quer parar um pouco
puxar as rédeas
que sei que não tenho
onde isso vai dar?
você também não sabe
eu sei...
quero parar e não consigo
parar de pensar
começar a pensar
fugir de mim
me encontrar
mas encontro você em mim
o que fazer?
acho que não aprendi a dizer não
somente para mim
e mais ninguém

você me testa
sem saber
que isso causa dor
você me usa
sem saber
que te uso também
você me quer
sem saber
que quero muito mais do que falo
você me tenta
sem saber
que sou tentada a deixá-lo
você me ama
sem saber
que amo minha liberdade fingida
você me chama
sem saber
que te chamo em silêncio muitas vezes
você me ignora
sem saber
que eu ignoro seus motivos
você me dá prazer
sabendo
que tenho prazer nisso

gosto do gosto
que você deixa em mim
gosto do cheiro
que você deixa em mim
gosto da voz
que você usa pra mim
gosto da máscara
que você usa pra mim
só que às vezes brincar cansa
sonhar cansa
imaginar entedia e inebria
minha mente devaneia
e fica mansa
incendeia
e finalmente descansa

quero parar por aqui

Em 04.08.08