sexta-feira, dezembro 28, 2012

Ainda assim eu fui feliz

"E mesmo que a última coisa que eu veja na vida seja uma cerca elétrica, ainda assim eu fui feliz."

Essa frase me acordou hoje às três e meia da manhã. Não somente a frase, mas a sensação de morrer de encontro a uma cerca elétrica, correndo, com uma sensação de liberdade, plenitude, e um sorriso nos lábios.

O final feliz de um "filme" longo, que pode ter durado alguns segundos em meu cérebro, sobre a vida. Mais especificamente, sobre a geração da vida, a multiplicação, a transformação. Os diferentes rumos que cada ser humano pode tomar ao longo da vida, da concepção à morte, gerando ou subtraindo oportunidades, momentos, laços, histórias.

Andar, andar, andar e nada encontrar. Correr e estar no mesmo lugar. Olhar para o lado e encontrar um sorriso amigo, um conforto inesperado. O sol da manhã bater no rosto, a chuva fria açoitar as costas. Mãos dadas. Olhos perdidos. Pés descalços. Frios. Quentes. Pequenos. Grandes. Todos os tipos e formas, sempre em frente. Uma multidão de eus, caminhando a esmo, de diferentes idades, histórias, essências, todos frutos de mim. Uns sobrevivem, outros não.

E, ao fim, ver que de mim prolifera vida. Ao olhar para trás, plenitude. E corro, corro, corro. Sorrindo.

terça-feira, agosto 14, 2012

Eu sei

Tanto tempo, tanto empenho, tanta entrega...

But felt so lonely in your company

Um amor etéreo, iniciado em minha alma, sem par...

You can get addicted to a certain kind of sadness

E eu não entendia o porquê, não entendia o porquê...

And I don't even need you love

Amassei tudo como uma bolinha de papel e atirei longe...

Now you're just somebody that I used to know

Acordei atônita, era minha culpa, eu sei...

But had me believing it was always something that I'd done

E eu tive que te arrancar de mim, à revelia...

But you treat me like a stranger and it feels so rough

Queria esquecer, esquecer, esquecer...

Somebody, now you're just somebody that I used to know

Tudo. Tudo. Tudo.

I used to know

(letras tiradas de Gotye - Somebody that I used to know)

Somebody that I used to know


Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know

Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody

(Gotye)

quarta-feira, julho 25, 2012

Eu volto


As luzes continuam acesas
E eu a me revirar em teus braços
Estamos correndo contra o tempo
Agarrando com as duas mãos os segundos que escorrem

Não quero ir
Embora a fuga seja o caminho mais fácil
A liberdade a sensação mais desafiadoramente deliciosa

Não, não me segure
Se eu partir, será para o alto
Será para a sublimação

A brisa ainda sopra
E eu a me afogar em teu amor
Suspirando sonhos desfeitos e páginas em branco
Delirando na tolice do porvir, nos cachos de teus cabelos

Derretendo paredes e lençóis
Enroscando pernas e pensamentos
Devaneios tornam-se certezas
Irreais são apenas o que chamamos de dias seguintes

Já falaram
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Por todos os segundos que nos pertencem
Por todas as risadas, olhares, delírios

E, se eu partir, simplesmente deixe
Pois eu volto...
Sempre, e cada vez mais, tua

(Em 20.07.2012)

Trecho destacado pertence a Sem fantasia - Chico Buarque

sexta-feira, julho 20, 2012

Repetitivos

Eu não sou santa. Eu erro. Eu errei. Minhas palavras muitas vezes são duras e afiadas, machucam como punhais. Irresistível dizer o que penso, na intensidade em que sinto. Sei que não dá para apagar ou fazer esquecer a palavra lançada. Sei que a ferida aberta demora a cicatrizar. Sei porque também sofro. Sei porque ouvi muito o que não queria, ainda que fosse um silêncio devastador.

Ainda assim, falo. Escrevo. Transbordo em caneta e papel, em saliva e suor. Geralmente não sou compreendida, apesar das palavras de incentivo e dos olhares de cumplicidade. Talvez às vezes esse seja o motivo de me sentir tão só. Mas conforto-me nos braços dos grandes escritores, poetas, filósofos. Vejo como nós, seres humanos, somos pequenos e repetitivos. Diferentes gerações, realidades, culturas e, ainda assim, iguais. As situações se repetem, os estereótipos se desvelam. Mudam os nomes, endereços, idades, países. E, ainda assim, repetitivos.

Devo continuar me repetindo?

(em 16.07.12)

sábado, julho 07, 2012

Hoje. Somente.


Quero flores sem motivo, quero vigílias para ouvir meu ressonar, quero caminhadas de vinte quilômetros só para olhar nos meus olhos. Gosto de presentes sem data especial, beijos apaixonados, palavras sinceras no guardanapo. Quero a sensação da paixão desenfreada, do amor sem data para expirar, do sexo sem limites. Quero você percorrendo meu corpo com a língua, só para dizer que me conhece de verdade. Quero um abraço mais sincero do que o choro de uma criança, e o choro mais infantil que a sinceridade possa permitir. Não quero apenas meias-palavras, semi-sinceras, sempre à meia-luz. Quero todas as palavras, todas sinceras, a qualquer momento. Gosto do gozo compartilhado no olhar, no ar respirado, na pulsação do coração. E quero sim, confiança para deitar sem medo em seu peito, desfrutar plenamente suas declarações, não duvidar do óbvio. Quero não me apavorar ao tremer o corpo inteiro simplesmente mediante a possibilidade de te encontrar. Quero não me jogar no escuro, pois isso eu faço a qualquer momento, com qualquer pessoa. Gosto de ser lembrada que sou única, que não há cópia, que não há segunda chance. Quero a satisfação de ser respeitada e admirada exatamente pela minha sã loucura, pela minha essência. E, não se iluda, vou conseguir.

Ainda dói. Ainda queima. Ainda arde. Ainda me transpassa o coração. Ainda me tira o foco, o sono, a sanidade, a razão, a vontade de levantar pela manhã. Mas tudo isso passará. Resta saber o que ficará. Isso sim, será aprendizado. Isso sim, me fará mais forte. Isso sim, acrescentará meu ser. Mas ainda é cedo. Cedo demais. Estou exigindo mais do que posso suportar, e eu sei disso, pois é minha conduta normal. Nunca fui mais do que impassivelmente exigente comigo mesma. Natural não ser de forma diferente agora.

Tenho desviado o olhar para ninguém perceber minha dor, aceitado situações discutíveis para não me envolver emocionalmente, mantido distância para manter as aparências. Isso não sou eu. Isso é o meu eu temporário, lutando contra o luto. Mas ninguém precisa saber, ninguém tem obrigação de se preocupar. Vou mantendo assim. Prefiro assim.


terça-feira, julho 03, 2012

Alice

Alice, Alice... can't stop me now.. I've been in a runaway locomotive and I'm just too adjusted to change... so here it is...


Tripping out
Spinning around
I'm underground
I fell down
yeah, I fell down

I'm freaking out
So, where am I now?
Upside down
And I can't stop it now
It can't stop me now

oooh Oooooh Oooohhh
I'll get by
oooh Oooooh Oooohhh
I'll survive
 
When the world's crashing down
When I fall and hit the ground
I will turn myself around
Don't you try to stop me
oooh Oooooh Oooohhh
I won't cry

I found myself
In Wonderland
Get back on
My feet again
Is this real?
Is it pretend?
I'll take a stand
Until the end

oooh Oooooh Oooohhh
I'll get by
oooh Oooooh Oooohhh
I'll survive

(Avril Lavigne)



Quem sou eu?

Todo dia eu sou algo diferente. Eu acordo e penso: hoje eu sou um unicórnio. Só existe uma pessoa nesse mundo que compreende minhas múltiplas existências - o OvO. Essa pessoa não se surpreeende se hoje eu sou um cnidoblasto, uma coruja, ou mesmo uma bolinha de sentimentos.

Às vezes sou borboleta, às vezes acordo aranha. Às vezes sou presa e às vezes sou predadora. Já acordei ornitorrinco, e não faço ideia se isso é caça ou caçador. Achei sereno ser ornitorrinco. Ou boto rosa. Ou ave do paraíso, maritaca, papagaio. Mico, macaco, gorila. Posso acordar uma inerte mesinha de cabeceira, ou um copo de whisky, ou uma taça de vinho, ou um punhado de pétalas de rosas amarelas.

Tenho amigos chamados Bó, Pipoco e Graviola. Pôneis Malditos. Catarina e Haroldo. Sapos, muito sapos. Esses, por algum motivo, não tem nome.

Hoje, definitivamente acordei morcego. Só queria paz e escuridão. Serenidade e solidão. Mas, na maior parte do dia, tive que ser bicho-dani mesmo.

segunda-feira, julho 02, 2012

Recomeçar

O amor não deveria doer jamais. Em sua pureza, não deveria machucar. Em sua grandiosidade, não deveria sufocar. Em sua singeleza, não deveria deixar faltas.

Eu sou amor. E, ainda assim, sou torta, estúpida, ingrata, infeliz. Não tenho forças para odiar ninguém, mas tenho forças para magoar com meu amor.

Peço desculpas. Imploro perdão por não saber amar. Por ser um bicho tão carente e frustrar tanto quem tenta me amar. Não quero mais isso. Cansei de sofrer pelo sofrimento que inflijo a quem me preza.

Não sei que rumo tomar. Ainda. Mas o momento chegará, acredito que tudo tenha o seu tempo de acontecer. Fui fraca, tola, vaidosa, orgulhosa.
Quero um amor livre de tudo isso.
Quero um amor livre de tudo.
Quero um amor livre.
Quero um amor.
Quero, simplesmente.

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, todos podem recomeçar e fazer um novo fim." (Emmanuel)

Quero recomeçar. Preciso recomeçar. Recuperar meu amor à vida. A mim. A você. A todos nós.

segunda-feira, junho 11, 2012

Shadowboxer

Once my lover, now my friend
What a cruel thing to pretend
What a cunning way to condescend
Once my lover, and now my friend

Oh, you creep up like the clouds
And you set my soul at ease
Then you let your love abound
And you bring me to my knees

Oh, it's evil, baby
The way you let your grace enrapture me
When well you know I'd be insane
To ever let that dirty game recapture me

You made me a shadowboxer, baby
I want to be ready for what you do
I've been swinging around me
'Cause I don't know when you're gonna make your move

Ooh, your gaze is dangerous
And you fill you space so sweet
If I let you get too close
You'll set your spell on me

So darling, I just want to say
Just in case I don't come through
I was on to every play
I just wanted you

But oh, it's so evil, my love
The way you've no reverence to my concern
So I'll be sure to stay wary of you, love
To save the pain of once my flame and twice my burn

And so I'm a shadowboxer, baby
I want to be ready for what you do
And I've been swinging around at nothing
I don't know when you're gonna make your move

Yeah, I'm a shadowboxer, baby
I want to be ready for what you do
And I've been swinging around me
'Cause I don't know when you'll make your move


(Fiona Apple)

sexta-feira, junho 01, 2012

Gota d'água


Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água

(Chico Buarque) 

quarta-feira, maio 23, 2012

To feel love

Don't make me say it
You don't want to hear it
I held it in the hope my heart could change


You say you're not
But you seem so certain
I'm really sorry but I just don't feel the same
You can pin all the blame on me


Because I want to feel love
Real love
Deep, down love


Don't try to shatter all my hopes of true love
Don't try to tell me there's no such thing as "the one"
I understand
I understand clearly
It doesn't happen like it happens in the movies
I'm aware
I don't care
I'm a dreamer


And I want to feel love
Real love
Deep, down love
Deep, down love


While I was gone all my friends got married
Who's fooling who?
I don't want to die lonely
So love's got time
But I'm not gonna lie to you


But I want to feel love
Real love
Deep, down love

I want to feel love
Real love
True love


I want to feel love
True love
True love
True love
True, foolish love
Real love
True love


(Butterfly Boucher)

quarta-feira, maio 16, 2012

Alegoria

Se eu pudesse fazer uma alegoria para representar como me sinto no momento, diria que estou andando em um fio comprido, aterrorizada com a possibilidade da queda. O abismo abriga dores físicas e emocionais, incapacitação por apatia, depressão, tristeza. Não quero cair. Mas como o fio é comprido e o equilíbrio escasso, acabo caindo aqui e acolá. Eu quero sair desse fio, mas não sei como. Estou me desesperando com a falta de perspectiva e de força de vontade. Eu preciso de ajuda. Urgente. Eu preciso mudar alguma coisa. Urgente. Eu preciso de motivação. Urgente.

O sol

Eu passei horas infindáveis, dias incalculáveis, semanas indescritíveis, meses inimagináveis apenas... pensando em você. Desejando você com uma força maior do que eu supunha ter. Transbordando em lágrimas de modo recorrente, tendo sonhos ao repassar incansavelmente o trecho de música "eu só queria me casar / com alguém igual a você". Era você e essa música que povoavam meus minutos de consciência. Tanto, tão profundamente, que precisei ficar inconsciente.

Fiquei em um estado de suspensão, fiquei em coma, fiquei alheia ao mundo. Acreditei que não fosse voltar. Acreditei que tudo continuaria eternamente em tons cinzentos. E, num dia qualquer, em um momento qualquer, eu vi o sol. Sim, eu o vi literalmente, resplandecente num céu azul perfeito, e fui à praia sozinha. Sozinha, mas não mais solitária. Tímida, mas confiante. Devagar, mas na direção certa. Trêmula, mas a passos firmes.

E assim, dia após dia, semana após semana, eu voltei a enxergar as cores. E assim, quando eu não esperava, você me enxergou. Abriu a cortina que nos distanciava. Se aproximou receoso, vacilante, inseguro. E, quando me estendeu a mão, eu a mordi. Não sei se por raiva, mágoa ou por não querer te perder. Mas a mordi. E senti o gosto de meu próprio sangue.

(em 10.05.12)
"Ele lê em si como em livro aberto, e nada faz para reter as folhas que se desvanecem no vento de sua vida."

 (trecho do 'Manifesto Surrealista', por Andre Breton, 1924)

segunda-feira, maio 14, 2012

No recreio

Antes do próximo...

No recreio
Quer saber quando te olhei na piscina
Se apoiando com as mãos na borda
Fervendo a água que não era tão fria
E um azulejo se partiu porque a porta
Do nosso amor estava se abrindo
E os pés que irão por esse caminho
Vão terminar no altar
Eu só queria me casar
Com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
Então quero mudar de lugar
Eu quero estar no lugar
Da sala pra te receber
Na cor do esmalte que você vai escolher
Só para as unhas pintar
Quando é que você vai sacar
Que o vão que fazem suas mãos
É só porque você não está comigo
Só é possível te amar...
Seus pés se espalham em fivelas e sandália
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo, charme macio
Que o cor terá se derreter?
Que som os lábios vão morder?
Vem me ensinar a falar
Vem me ensinar ter você
Na minha boca agora mora o teu nome
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
Nem descansar e adormecer
Não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
Olhar pro céu só ver janela e cortina
No meu coração fiz um lar
O meu coração é o teu lar
E de que que adianta tanta mobília
Se você não está comigo
Só é possível te amar
Ouve os sinos, amor
Só é possível te amar
Escorre aos litros, o amor

(Cassia Eller)

quarta-feira, abril 11, 2012

Te Perdoo

Por teres me levado à loucura, por teres me feito sonhar
Por teres me tirado a paz, a lógica e a razão
Por teres me envolvido em uma história apaixonada
Insana, descuidada, insensata, deliciosa

Pelos momentos de silêncio, de paz e de plenitude
Pelo aconchego, por me acostumares a tua companhia
Por permeares meus pensamentos sem pedir permissão
Devaneios, projeções, desejos, imaginação

Por teres paciência, serenidade e sensibilidade
Por me mostrares que posso ter mais
Por me cuidar, acarinhar e deleitar
Sem limites, sem censura, sem porvir

Por ser quem tu és e seguires em frente
Por te afastares, romperes laços e sonhos
Por mais que doa, que sangre, que confunda
Te perdoo por tudo, te perdoo por nada

segunda-feira, março 12, 2012

Lapsos

Eu não consigo sofrer agora. Não agora. E eu era boa nisso, ah, eu era...
Mas minha montanha-russa insiste em subir, subir, subir... nunca cair demais... a vertigem nunca mais foi intensa.

I entered nothing and nothing entered me
'Til you came with the key
And you did your best but
As I live and breathe
You have killed me
You have killed me

Eu choro nos momentos errados... rio nos momentos desesperados... e contemplo o mundo como se a ele não pertencesse. O que há de errado em aceitar? Não, eu tenho que criar rebeliões em meu mundo paralelo, sempre em guerra, em guerra, em guerra. Paz somente na contemplação vazia, no nada existente, no lapso entre a memória e o agora. Para onde vou nesses momentos? Para onde fujo? É mesmo um lugar melhor do que o presente?

I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
Am son heir
Of nothing in particular

O tempo tornou-se um algoz medonho, algo do qual não consigo fugir nem vencer. Não quero o passado, não suporto o presente, não almejo o futuro. Em que tipo de prisão eu me enfiei? Uma linha sem fim. Uma linha preta numa folha branca. Tédio. Não consigo desenhar, eu era boa nisso... Acho que dei um tempo para mim mesma, mas fui longe demais. Sem data para voltar. Só ir, ir, ir... cansada, contando os segundos. Não passam.

Take me out tonight
Oh, take me anywere, I don't care
I don't care, I don't care
And in the darkned underpass
I tought 'Oh God, my chance has come at last'
But then a strange fear gripped me
And I just couldn't ask

Fileiras de horas me esperam pela manhã. Sem desjejum. Sem bom dia. Sem colo. Sem esperança. E ainda assim anseio por tudo o que não conheci. Lapsos...

Along this way
outside the prison gates
I love the romance of crime
and I wonder 'Does anybody feel
the same way I do?'
And is evil just something you are?
Or something you do?

Sou amor. Amor vulgar. Amor contemplativo. Amor lascivo. Amor singelo. Quem não é?

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
Just like everybody else does