quarta-feira, julho 25, 2012

Eu volto


As luzes continuam acesas
E eu a me revirar em teus braços
Estamos correndo contra o tempo
Agarrando com as duas mãos os segundos que escorrem

Não quero ir
Embora a fuga seja o caminho mais fácil
A liberdade a sensação mais desafiadoramente deliciosa

Não, não me segure
Se eu partir, será para o alto
Será para a sublimação

A brisa ainda sopra
E eu a me afogar em teu amor
Suspirando sonhos desfeitos e páginas em branco
Delirando na tolice do porvir, nos cachos de teus cabelos

Derretendo paredes e lençóis
Enroscando pernas e pensamentos
Devaneios tornam-se certezas
Irreais são apenas o que chamamos de dias seguintes

Já falaram
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Por todos os segundos que nos pertencem
Por todas as risadas, olhares, delírios

E, se eu partir, simplesmente deixe
Pois eu volto...
Sempre, e cada vez mais, tua

(Em 20.07.2012)

Trecho destacado pertence a Sem fantasia - Chico Buarque

sexta-feira, julho 20, 2012

Repetitivos

Eu não sou santa. Eu erro. Eu errei. Minhas palavras muitas vezes são duras e afiadas, machucam como punhais. Irresistível dizer o que penso, na intensidade em que sinto. Sei que não dá para apagar ou fazer esquecer a palavra lançada. Sei que a ferida aberta demora a cicatrizar. Sei porque também sofro. Sei porque ouvi muito o que não queria, ainda que fosse um silêncio devastador.

Ainda assim, falo. Escrevo. Transbordo em caneta e papel, em saliva e suor. Geralmente não sou compreendida, apesar das palavras de incentivo e dos olhares de cumplicidade. Talvez às vezes esse seja o motivo de me sentir tão só. Mas conforto-me nos braços dos grandes escritores, poetas, filósofos. Vejo como nós, seres humanos, somos pequenos e repetitivos. Diferentes gerações, realidades, culturas e, ainda assim, iguais. As situações se repetem, os estereótipos se desvelam. Mudam os nomes, endereços, idades, países. E, ainda assim, repetitivos.

Devo continuar me repetindo?

(em 16.07.12)

sábado, julho 07, 2012

Hoje. Somente.


Quero flores sem motivo, quero vigílias para ouvir meu ressonar, quero caminhadas de vinte quilômetros só para olhar nos meus olhos. Gosto de presentes sem data especial, beijos apaixonados, palavras sinceras no guardanapo. Quero a sensação da paixão desenfreada, do amor sem data para expirar, do sexo sem limites. Quero você percorrendo meu corpo com a língua, só para dizer que me conhece de verdade. Quero um abraço mais sincero do que o choro de uma criança, e o choro mais infantil que a sinceridade possa permitir. Não quero apenas meias-palavras, semi-sinceras, sempre à meia-luz. Quero todas as palavras, todas sinceras, a qualquer momento. Gosto do gozo compartilhado no olhar, no ar respirado, na pulsação do coração. E quero sim, confiança para deitar sem medo em seu peito, desfrutar plenamente suas declarações, não duvidar do óbvio. Quero não me apavorar ao tremer o corpo inteiro simplesmente mediante a possibilidade de te encontrar. Quero não me jogar no escuro, pois isso eu faço a qualquer momento, com qualquer pessoa. Gosto de ser lembrada que sou única, que não há cópia, que não há segunda chance. Quero a satisfação de ser respeitada e admirada exatamente pela minha sã loucura, pela minha essência. E, não se iluda, vou conseguir.

Ainda dói. Ainda queima. Ainda arde. Ainda me transpassa o coração. Ainda me tira o foco, o sono, a sanidade, a razão, a vontade de levantar pela manhã. Mas tudo isso passará. Resta saber o que ficará. Isso sim, será aprendizado. Isso sim, me fará mais forte. Isso sim, acrescentará meu ser. Mas ainda é cedo. Cedo demais. Estou exigindo mais do que posso suportar, e eu sei disso, pois é minha conduta normal. Nunca fui mais do que impassivelmente exigente comigo mesma. Natural não ser de forma diferente agora.

Tenho desviado o olhar para ninguém perceber minha dor, aceitado situações discutíveis para não me envolver emocionalmente, mantido distância para manter as aparências. Isso não sou eu. Isso é o meu eu temporário, lutando contra o luto. Mas ninguém precisa saber, ninguém tem obrigação de se preocupar. Vou mantendo assim. Prefiro assim.


terça-feira, julho 03, 2012

Alice

Alice, Alice... can't stop me now.. I've been in a runaway locomotive and I'm just too adjusted to change... so here it is...


Tripping out
Spinning around
I'm underground
I fell down
yeah, I fell down

I'm freaking out
So, where am I now?
Upside down
And I can't stop it now
It can't stop me now

oooh Oooooh Oooohhh
I'll get by
oooh Oooooh Oooohhh
I'll survive
 
When the world's crashing down
When I fall and hit the ground
I will turn myself around
Don't you try to stop me
oooh Oooooh Oooohhh
I won't cry

I found myself
In Wonderland
Get back on
My feet again
Is this real?
Is it pretend?
I'll take a stand
Until the end

oooh Oooooh Oooohhh
I'll get by
oooh Oooooh Oooohhh
I'll survive

(Avril Lavigne)



Quem sou eu?

Todo dia eu sou algo diferente. Eu acordo e penso: hoje eu sou um unicórnio. Só existe uma pessoa nesse mundo que compreende minhas múltiplas existências - o OvO. Essa pessoa não se surpreeende se hoje eu sou um cnidoblasto, uma coruja, ou mesmo uma bolinha de sentimentos.

Às vezes sou borboleta, às vezes acordo aranha. Às vezes sou presa e às vezes sou predadora. Já acordei ornitorrinco, e não faço ideia se isso é caça ou caçador. Achei sereno ser ornitorrinco. Ou boto rosa. Ou ave do paraíso, maritaca, papagaio. Mico, macaco, gorila. Posso acordar uma inerte mesinha de cabeceira, ou um copo de whisky, ou uma taça de vinho, ou um punhado de pétalas de rosas amarelas.

Tenho amigos chamados Bó, Pipoco e Graviola. Pôneis Malditos. Catarina e Haroldo. Sapos, muito sapos. Esses, por algum motivo, não tem nome.

Hoje, definitivamente acordei morcego. Só queria paz e escuridão. Serenidade e solidão. Mas, na maior parte do dia, tive que ser bicho-dani mesmo.

segunda-feira, julho 02, 2012

Recomeçar

O amor não deveria doer jamais. Em sua pureza, não deveria machucar. Em sua grandiosidade, não deveria sufocar. Em sua singeleza, não deveria deixar faltas.

Eu sou amor. E, ainda assim, sou torta, estúpida, ingrata, infeliz. Não tenho forças para odiar ninguém, mas tenho forças para magoar com meu amor.

Peço desculpas. Imploro perdão por não saber amar. Por ser um bicho tão carente e frustrar tanto quem tenta me amar. Não quero mais isso. Cansei de sofrer pelo sofrimento que inflijo a quem me preza.

Não sei que rumo tomar. Ainda. Mas o momento chegará, acredito que tudo tenha o seu tempo de acontecer. Fui fraca, tola, vaidosa, orgulhosa.
Quero um amor livre de tudo isso.
Quero um amor livre de tudo.
Quero um amor livre.
Quero um amor.
Quero, simplesmente.

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, todos podem recomeçar e fazer um novo fim." (Emmanuel)

Quero recomeçar. Preciso recomeçar. Recuperar meu amor à vida. A mim. A você. A todos nós.