quarta-feira, dezembro 09, 2009

Um dia qualquer

Era manhã. E como em muitas outras vezes, fui acometida por aquele sentimento familiarmente angustiante.
Joguei-me ao rodapé de uma parede sem móveis, como se aquele fosse o único lugar no mundo capaz de me abrigar. Queria sentir o chão frio em minhas bochechas incandescentes, enquanto meu corpo convulsionava pressionando o taco inerte.
Em meio à poça de lágrimas e muco formada instantaneamente, perguntava-me por que. Por que eu? Por que assim? Não conseguia me sentir feliz nem realizada, não importava o que fizesse. Meu corpo e alma pesavam como âncoras de um navio abandonado.
Sentia-me só, desamparada, tolhida, sem forças para erguer-me novamente. A visão cedia lugar a uma névoa, turvando tudo ao meu redor. Não importava mais onde estava, e sim o fato de meu corpo estar completamente colado ao chão, minha face mergulhada em minhas próprias secreções. Queria ficar na posição em que realmente me sentia internamente: ali, no chão, humilhada ante à minha própria impotência de mudar.
Os gemidos e soluços nunca foram ouvidos, nem lamentados ou apaziguados. A conversa era comigo mesma. A dor que me perseguia só poderia ser abrandada por mim.
Tentei abrir os olhos outra vez, ainda sem sucesso. A essa altura, não havia mais do que pálpebras inchadas onde antes havia olhos. Um esforço maior, e supero a dor de me forçar a enxergar novamente.
Levanto. Caminho até o banheiro. Miro-me no espelho: essa deformidade sou eu mesma? Ainda há alguém aí? Lavo o rosto dolorido e inchado. Limpo o chão molhado. Vou fazer o almoço. Mais um dia começando.

Em 05.10.09

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