segunda-feira, novembro 30, 2009

The Guilty Ones

Foto: Marian Starosta

(O Corpo é o Culpado)

Cantam: Wendla, Melchior, Garotos e Garotas.

Wendla
COMEÇOU DE UM JEITO
DOCE E FELIZ
ESSA CAIXINHA
ONDE A GENTE GUARDOU
O QUE A GENTE SEMPRE QUIS

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA UM SONHO?

Wendla
VEM ME ACORDAR PRA SOFRER OUTRA VEZ

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA A GENTE?

Wendla
A GENTE INSISTE NO SONHO…

E AGORA O CORPO É O CULPADO, SIM
PORQUE
NÃO DEIXA ESQUECER

E DEPOIS
SÓ NÓS DOIS
DOIS QUE AGORA ESTÃO NO CHÃO
MURMURAM POR UM QUASE PERDÃO

OH…

Melchior
CORAÇÃO DISPARA
SEM COMPREENDER
TODA JANELA REFLETE O SEU OLHAR
E TUDO AGORA É VOCÊ

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA UM SONHO?

Melchior
VEM ME ACORDAR PRA MORRER OUTRA VEZ

Garotos e Garotas
ALGUÉM DECIFRA A GENTE?

Melchior
A GENTE É FEITO DE SONHO

Todos
E AGORA O CORPO É O CULPADO, SIM
PORQUE
NÃO DEIXA ESCAPAR

NÃO PASSOU
NÃO SUMIU
E AINDA AS MÃOS SOBRE AS MÃOS
IMPLORAM POR UM QUASE PERDÃO

Garotos e Garotas
OH…

Todos
E AGORA O CORPO É O CULPADO, SIM
PORQUE NÃO DEIXA ESQUECER
E DEPOIS, SÓ NÓS DOIS
DOIS QUE AGORA ESTÃO NO CHÃO
MURMURAM POR UM QUASE PERDÃO


Do musical O Despertar da Primavera, de Möeller Botelho

domingo, novembro 29, 2009

Conversa de maluco

- Sabe de uma coisa?
- Hãn...
- Eu acho que... sei lá... eu me tornei uma pessoa que não tem vergonha de mostrar o próprio corpo...
- Ah, que legal! Você tá magra, né?
- Não, não é isso... Pelo contrário, ainda não me sinto bem com meu corpo dessa forma.
- Então não entendi.
- É que... por exemplo, não tenho mais vergonha de sentar de pernas abertas.
- Ah....
- Não me preocupo mais tanto com isso.
- Poxa, que legal. Nunca tinha ouvido alguém falar que perdeu os bons modos de uma forma tão delicada...
- (!)

sexta-feira, novembro 27, 2009

Sem Fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

(Chico Buarque -1967)

quarta-feira, novembro 18, 2009

A Viagem

Brilha brilha estrelinha... e assim começa mais uma viagem...
um isqueiro vermelho, um odor de rosa amarela
cinzas na estrelinha...
um momento sem ar, uma crise de tosse
cinzas na estrelinha...
uma leveza nos gestos, um piscar de olhos
cinzas na estrelinha...
um movimento lento, uma gargalhada
cinzas na estrelinha...
o olhar cúmplice, as mãos que se tocam
cinzas na estrelinha...
o amor incondicional
a paz inabalável
a sensibilidade aflorada
e a certeza de que a felicidade é palpável
Brilha brilha estrelinha...

Em 18.11.09

terça-feira, novembro 17, 2009

Antagonismos


Interessante como nós, seres humanos, temos a estranha capacidade de desejarmos coisas totalmente antagônicas, muitas vezes ao mesmo tempo.
A busca incessante pela liberdade... não queremos horários, não queremos receber ordens, não queremos travas ao nosso prazer, não queremos críticas nem desaprovações. Queremos o infinito, o melífluo, o tudo poder, o tudo querer, o abismo de sonhos aos nossos pés.
E, quando sozinhos, queremos o chão, o certo, o conforto de um alguém que te espere em casa, de quem você dependa e que dependa de você para todos aqueles momentos maravilhosos compartilhados. Queremos a rocha, a certeza, o compromisso, o carimbo, o contrato, as regras.
O problema é quando se deseja tudo ao mesmo tempo... amor sem cobranças, sonhos sem regras, prazer sem chão, compromisso sem carimbo... não deve ser fácil atingir o equilíbrio. Ainda mais a dois.
Mas os seres humanos também possuem a estranha capacidade de serem teimosos e flexíveis. Teimosos em insistir no que acreditam, e flexíveis para se adequarem quando a realidade é amargamente diferente.
Acho que sou um pouco de tudo isso. Romântica e aventureira, busco a paz e a loucura, encontro sonhos e frustrações em meu caminho, mas não me dou por vencida. Não agora. Não quando compreendo a dimensão de minha insignificância perante a imensidão da vida. Sorrio.