Hoje acordei com uma estranha vibração por todo o corpo. Algo como um formigamento sem dor, ou um choque elétrico sem machucar. E vibrando fiquei por cerca de duas horas, entre cochilando, delirando ou pensando, a vibração descompassada, pois não seguia a respiração ou o pensamento. Sonhei enredos esquisitos, como filmes de Bergman ou Kubrick. E ria ou me entristecia ao acordar, ao bel prazer do rumo de meus devaneios. Assim fiquei até decidir lutar contra a mesmice de um dia fadado ao lugar comum. Levantei-me e joguei-me à vida, ignorando a chuva fina, as nuvens esmaecidas e a névoa branca do dia cinza. As ruas pareciam gigantescos incensários, opacas e esbranquiçadas. Por diversas vezes vacilei em meus pensamentos – deveria eu ter cedido ao destino de um dia comum? Não... acho que não. A tarde me trouxe sorrisos, raiva, arrependimento, gratidão, compaixão, esperança, gargalhadas, quase lágrimas e muita, muita esquisitice. Ainda estou esquisita. É como se movesse meu corpo embaixo d’água. Caminho como se minhas pernas pesassem; obedecem com dificuldade. A tonteira que me acompanha se intensificou junto com o enjôo, e a dor nas têmporas veio após a sensação de desmaio. Não sei o que tenho, mas algo está muito errado. Aliás, algo continua muito errado. As mãos frias, os arrepios, o torpor. A vibração se foi, mas deixou algo tão complexo e incômodo em seu lugar. Há algo em mim que preciso expurgar. Enquanto eu nutrir qualquer indício de apego a ele, não posso extirpá-lo. Meu bisturi perdeu o gume.
quinta-feira, junho 11, 2009
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