terça-feira, dezembro 21, 2010

Hoje

Me aperta, me pega, me torce, me beija
Que hoje eu quero ser sua
Hoje quero estar nua
dos medos e anseios e tristezas
Quero beber da sua boca
Quero tirar a sua roupa
E aceitar o que me faz tão bem
Perder-me em você
Para depois me encontrar inteira, cansada e feliz

(em 18.12.10)

Vai passar

Vai passar,
tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas

(Caio Fernando Abreu)

domingo, dezembro 12, 2010

Run baby run

Love can be so strange
Don't it amaze you?
Every time you give yourself away
It comes back to haunt you
Love's an elusive charm and it can be painful
...To understand this crazy world
But you're not gonna crack
No you're never gonna crack

Run my baby run my baby run
Run from the noise of the street and the loaded gun
Too late for solutions to solve in the setting sun
So run my baby run my baby run

Life can be so cruel
Don't it astound you?
So when nothing seems too certain or safe
Let it burn through you
You can keep it pure on the inside
And you know what you believe to be right
So you're not gonna crack
No you're never gonna crack

Run my baby run my baby run
Run from the noise of the street and the loaded gun
Too late for solutions to solve in the setting sun
So run my baby run my baby run

Find out who you are before you regret it
Cause life is so short there's no time to waste it

(Garbage)

terça-feira, outubro 12, 2010

O que me magoou

O que me magoou não foi você não me querer, pois você me quis em cada segundo em que estivemos juntos, e acredito que também em muitos dos quais estivemos separados.

O que me magoou foi sua displicência com o que te ofereci. Posso ter dado mais do que você conseguiu suportar. Este pode ter sido o meu erro. Mas não dei o que você não queria.

O que me magoou não foi rejeição. Foi o não após o sim. Foram quatro passos atrás após uma caminhada à frente. Apenas quatro passos. O suficiente para me deixar só.

O que me magoou foi o vazio. O silêncio. O desviar de olhos. Posso ter esperado mais do que você pode dar. Este pode ter sido o meu erro. Mas não esperei por algo que você não havia me mostrado.

Não posso fazer você voltar ao ponto em que parou. Mas posso te impedir de me magoar de novo.

domingo, outubro 03, 2010

Enlou-cresça

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa ou quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora do em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternura e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.

Carlos Drummond de Andrade


Agradeço por já ter tido tudo isso na vida, mais de uma vez. Agradeço também por já ter tido e já ter perdido, seja pelo motivo que for. Assim pude viver os dois lados (ou três, ou quatro). Ter e querer, ter e não querer, não ter e não querer, e não ter e querer. São situações únicas, cada qual com suas dores e delícias.

domingo, setembro 19, 2010

Ainda não descobri

Eu ainda não descobri o porquê, mas gosto muito de você.
Você foi o responsável por alguns dos piores momentos da minha vida, e por alguns dos melhores também.
E não estamos falando de uma menininha na puberdade, sem vivência pregressa.
Essa dualidade nos sentimentos, nas ações, não me permite ficar em paz. Também não consigo me afastar.
Já não sei o que fazer ou como agir. Às vezes finjo que está tudo bem, em outras não consigo disfarçar a tristeza e preocupação.
Onde isso irá nos levar?
Não consigo ficar perto, não consigo ficar longe. Não consigo esquecer. Não consigo aceitar.

"Ele some sem querer, sem avisar. Espero. Tenho a sensação de que cada minuto de espera é um ano, uma eternidade. Cada minuto é lento e transparente como vidro. A cada minuto que passa, vejo uma fila de infinitos minutos, à espera. Por que ele foi aonde não posso ir atrás?" Audrey Niffenegger - A mulher do viajante no tempo

A busca por si mesmo é um caminho solitário.

O amor depois do amor

Há de chegar a hora
em que, com alegria,
você vai se cumprimentar ao chegar
à porta de casa, em seu próprio espelho,
e cada um sorrirá diante da acolhida do outro,

e dirá, sente-se aqui. Coma.
Você amará de novo o estranho que era si mesmo.
Dê vinho. Dê pão. Devolva seu coração
a ele mesmo, ao estranho que amou você

desde que você nasceu, que você ignorou
por outro, que o conhece de cor.
Tire as cartas de amor da estante,

as fotografias, os bilhetes desesperados,
tire sua própria imagem do espelho.
Sente-se. Celebre sua vida.

(Derek Walcott)

Para sermos dois, temos que antes ser um.
Eu ainda não descobri o fim, mas gosto muito de mim.

Gratidão

Ainda lembro o dia em que saí daquele carro desorientada, tropeçando em minhas próprias pernas, enxergando pouco além da névoa cinza que nublava minha vista. Sentia o corpo desfalecer, revoltar-se contra meus comandos. Queria sumir dali o mais rápido possível, ainda que não soubesse ao certo para onde ir.

Hoje, racionalmente consigo contabilizar: foram somente vinte e cinco dias. Devastadores vinte e cinco dias. Tenho a sensação de que vivi no limbo por pelo menos seis meses. Como nossa mente prega peças em nós mesmos. Perdi totalmente a noção do tempo, as horas arrastando-se dolorosamente.

Vi-me em um vazio a que não estava acostumada, e não conseguia sequer entender como eu havia parado ali. Era difícil até mesmo respirar. A mente sabotando-me o tempo todo, a exaustão dominando meu corpo. Sem dormir ou comer, era questão de tempo padecer de males maiores. Ainda não sei de onde tirei forças para continuar. Provavelmente dos amigos, cujos semblantes preocupados refletiam como espelhos. Sempre disse que chegar ao fundo é bom para ter impulso para voltar. Acho que mudei de idéia, pois passei um tempo acreditando piamente que não conseguiria mais voltar. Não ter esperança é simplesmente horrível. Acordar e dormir torcendo para que o outro dia não chegue, com medo de não ter mais forças para lutar. Pura exaustão, mente e corpo. Acho que nesse período até a alma tirou férias.

Nem parece que há pouco mais de uma semana era assim que me sentia. Hoje consigo lembrar os fatos como se aquela fosse outra pessoa. Sensação esquisita. Agradeço a todos os que se esforçaram para me fazer enxergar que aquela era outra pessoa, doente. Aos que me ouviram com carinho e atenção, aos que puxaram minha orelha, aos que me viram chorar e me fizeram sorrir.

Sinto-me grata a todos. E, principalmente, a mim, que sem a força de vontade descomunal, não teria mudado nada.

(em 07.09.10)

terça-feira, agosto 24, 2010

Batalha Inútil

Estou lutando uma batalha inútil. Não posso avançar. Não consigo recuar. E estou no fogo cruzado. Não tenho paz, não durmo, mal me alimento. Como se de repente a cortina azul-celeste caísse e deixasse à mostra a realidade do meu mundo: trincheiras.

Sempre me protegi ferrenhamente do mundo. Ou com reclusão ou com simpatia. Tenho sido simpática, compreensiva, paciente. Mas... a que custo? Será que as palavras e conversas amenas e racionais estão realmente servindo de algo? Tenho achado cada vez menos que apenas compreender seja suficiente. O racional é bonitinho, mas é o que está dentro de mim que sofre, chora, sufoca, desespera.

A cada palavra dita, é como se outra feita de ácido descesse pela minha garganta, queimando e dissolvendo tudo dentro de mim. A cada dia outro órgão entra em falência, será que o coração precisa mesmo ser o último? Estou fraca demais para continuar assim.

Você fica dizendo que eu ainda não conheci seu verdadeiro eu. Cada vez mais questiono se um dia o conhecerei, se um dia você me dará esta chance.

Às vezes tenho a forte sensação de estar agindo como uma mendiga. Contentando-me com migalhas. Fazendo rodeios para obter muito pouco. Expondo-me à rejeição. E tudo isso é muito novo para mim. Olho-me no espelho e não me reconheço. Quero parar e não sei como. Quero mudar e não encontro o caminho.

Estou cansada de lutar. Meu corpo está pedindo para eu parar. Ou eu paro ou ele me pára.

domingo, agosto 22, 2010

Jogo Cruel

Estou me esforçando tanto
Para me encontrar dentro de mim
Será que quando este momento chegar
Ainda vou te encontrar dentro de mim?

Eu senti raiva, tentei me apegar a isso
Senti rejeição, ainda não curada
Pintei um quadro horrível
Mas não refletia você em nada

Não consigo te odiar
Não consigo te rejeitar
E também não consigo te amar

Será que fui eu quem colocou as grades?
Será que construí minha própria prisão?
Não consigo responder esta questão


Agora, somente noites insones
Pensando em tudo o que poderia ser e não é
Não estamos preparados? E saberemos dizer quando estivermos?
E se algo já tiver morrido?
Espero que valha a pena sufocar tanto
Espero que não matemos o que ainda estava germinando

Lágrimas deslizam quentes e suaves quando lembro que toquei o céu
Quero voar, mas ainda não sei como
Com uma só asa não vou a lugar algum
Meu vôo é raso, suficiente para sentir o gosto
Mas incapaz de me permitir alcançar o que almejo
Quem está jogando os dados desse jogo cruel?

quinta-feira, agosto 12, 2010

Labirintos

Eu sinto bem dentro de mim uma fúria, como se sempre houvesse uma parte de mim que se agarrasse à vida de todas as formas. Sinto os lugares que ainda não visitei, as pessoas que ainda não conheci, as sensações que ainda não experimentei, as palavras que ainda não disse, os perfumes que ainda não aspirei, as gargalhadas que ainda não dei.

Mas sinto-me incapaz de manter esse sentimento por muito tempo. A dor de um coração partido é incapacitante. As feridas parecem que não cicatrizam. Sangram quando eu menos espero, nublando meus pensamentos e sonhos. Às vezes me vejo como em um labirinto, indo e vindo por caminhos desesperadoramente iguais.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Beleza oculta

Hoje pela manhã, após lutar contra meu próprio corpo para removê-lo da cama, sacudi os pensamentos e afaguei sorrisos. Pensei: a beleza muitas vezes passa na nossa frente e nossa ignorância não permite vê-la. E sorri.

A Brecha

Queria, nem que fosse por alguns instantes, encontrar uma brecha no universo onde eu pudesse repousar minha mente incansavelmente fatigada.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Fantasmas

Como você consegue ser minha fonte de prazer e dor? Sinto-me confusa a cada encontro. Vejo em seus olhos sentimentos conflitantes. Não há paz em nossos corações.

Queria poder com um simples afago em seus cabelos livrar-te de toda angústia. Com um simples beijo em seus olhos afastar a culpa, a tristeza e o cansaço. Porém não posso. Cada um de nós deve travar sua própria batalha pessoal contra esses fantasmas.

E quanto estiver cansado, estarei aqui. E quando estiver cansada, espero que você também esteja aqui. A semelhança de sentimentos, problemas e afinidades nos fazem mais fortes.

(em 07.08.10)

sexta-feira, julho 30, 2010

There was a boy ...

There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy
And sad of eye
But very wise
Was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things, fools and kings
This he said to me
"The greatest thing
You'll ever learn
Is just to love
And be loved
In return"

(Ewan McGregor - Moulin Rouge / Original: Eden Ahbez)

quarta-feira, julho 28, 2010

A menininha

A menininha foi assassinada. Um punhal de mágoa a transpassou. Um golpe de decepção, foi elevada às alturas e solta para cair. No abismo, frustração, inconformismo, raiva, tristeza.

Mas ela ainda agonizava. O silêncio a matou.

.
.
.

Cuidado, não há mais menininha aqui.

(em 22.07.10)

quarta-feira, julho 21, 2010

O certo e o errado

Existe o certo, o errado e todo o resto. (Daniel Oliveira - filme Cazuza)

Sempre vivi com o estigma de certo e errado. O peso era enorme e sufocante. Não dava um passo sem pesar os dois lados. A repressão fazia com que a imaginação voasse, e a inteligência se desenvolvesse. Tornei-me traça de livros. Observadora do mundo. Contestadora silenciosa. Palestrante muda. Escritora sem papel. Mas a culpa massacrava-me. Por que questionava assuntos sobre os quais ninguém falava? Por que elaborava questões que nunca tinham resposta?

Obviamente, com o passar dos anos, tornei-me uma revoltada. Não revoltada pela violência, e sim pelas idéias. Era como se debatesse internamente qualquer discussão. Questionava, defendia e acusava. Conseguia ser defesa e promotoria ao mesmo tempo. E não entendia. Como pode haver tamanha dualidade?

Confesso que essa falta de certeza ainda me deixa desconfortável. Seria mais fácil se tivéssemos mais certezas na vida. Infelizmente, quanto mais certezas, mais inflexibilidade e, consequentemente, dor. A vida não é tão previsível quanto gostaríamos.

O caminho do questionamento foi bem cansativo. Talvez tenha até confundido algumas pessoas. Mas eu também estava tentando chegar a algum lugar. Sempre me recolhi em momentos difíceis. Acho que tinha dificuldade de compartilhar quando o problema era realmente profundo. Até hoje, inclusive. Prefiro o silêncio. Prefiro a solidão.

Nos meus altos e baixos, tem uma coisa com a qual não me conformo: não ter a oportunidade nem de errar. Isso me mata. Corta a árvore pela raiz. Se eu quiser acertar, pelo menos me dê a chance de errar. Essa história de ‘tenho medo’, de ‘não quero errar de novo’ acaba comigo. Eu tenho tanto a oferecer, e certas pessoas simplesmente negam pelo medo do novo. Acredito que essa seja a prova mais difícil para mim.

Eu tento. Sou amiga. Sou confidente. Sou amante. Sou psicóloga. Sou filósofa e escritora. Sou mulher. Mas, contra o pavor do novo, ninguém pode. Eu converso. Eu me calo. Eu ouço. Mas não converto ninguém. Cada um segue o próprio coração ou razão. Cada um tem seu tempo de aprendizado. Difícil é esperar quando se gosta. Angústia infinita. Impotência desesperadora.

Quero aprender, só não pretendia que fosse um processo tão doloroso.

terça-feira, julho 20, 2010

O Mundo É Um Moinho

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

(Cartola)

domingo, julho 18, 2010

Cronologia

DURANTE...

Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face

And I've always lived like this
Keeping a comfortable, distance
And up until now I swored to myself
That I'm content with loneliness,
Because none of it was ever worth the risk

But you are the only exception
But you are the only exception
But you are the only exception
But you are the only exception
(Paramore)


UM POUCO DEPOIS...

Where do we go from here?
This isn't where we intended to be
We had it all
You believed in me
I believed in you

Certainties disappears
What do we do for a dream to survive
How do we keep all our passions alive?
As we used to do
(Madonna)


UM POUCO DEPOIS E DEPOIS...

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
(Caetano)


UM POUCO DEPOIS E DEPOIS E DEPOIS...

Your heart is not open so I must go
The spell has been broken, I loved you so
Freedom comes when you learn to let go
Creation comes when you learn to say no

You were my lesson I had to learn
I was your fortress you had to burn
Pain is a warning that something's wrong
I pray to God that it won't be long
Do you wanna go higher

There's nothing left to lose
There's no more heart to bruise
There's no greater power
Than the power of good-bye
(Madonna)

sexta-feira, julho 16, 2010

Eu queria gritar ao mundo

Há umas três semanas atrás, era incrível como eu te olhava e pensava na sorte de ter te conhecido. Sentia-me profundamente grata à vida por ter colocado em meu caminho pessoa tão maravilhosa. Todo o carinho e a atenção que me eram dados me deixavam nas nuvens. Eu tinha vontade de gritar ao mundo o quão feliz e sortuda eu era, veja só!
Então, há umas duas semanas, percebi que o que eu havia entendido como uma confusão natural pela situação onde você se encontrava era muito mais do que eu imaginava. Ao invés de seguir em frente, você retrocedeu, deixando um vazio enorme onde antes era amizade, cumplicidade e paixão. Nesse momento eu quis gritar ao mundo minha mágoa e decepção.
Em um período de exatos setenta e cinco dias, te conheci e te perdi. Agora a sensação é a de que somos estranhos. Onde antes eu encontrava felicidade, há vazio. Onde antes eu encontrava amizade, há silêncio. Onde antes eu encontrava cumplicidade, há afastamento. Onde antes eu encontrava paixão, há dor.
Difícil fingir que nada aconteceu.

Eu cresço

Ando no mundo da lua
Desde que você, com sua partida
Deixou-me frágil, sentindo-me nua

Sem esperanças no agora
Levantar-me, deitar-me
Cada dia é uma pequena vitória

Queria somente que o tempo voasse
Que você se fosse de mim
Que o vento te levasse

Sou mais forte do que pareço
Posso até me dobrar, mas não quebro
Posso até me desesperar, mas não enlouqueço
E se tudo piorar, eu cresço

domingo, julho 11, 2010

Halo

Hit me like a ray of sun
Burning through my darkest night
You're the only one that I want
Think I'm addicted to your light

I swore I'd never fall again
But this don't even feel like falling
Gravity can't forget
To pull me back to the ground again

Feels like I've been awakened
Every rule I had you breaking
The risk that I'm taking
I'm never gonna shut you out

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace

You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Pray it won't fade away

(Beyoncé)

quinta-feira, julho 08, 2010

Breathless

Tell me how can I live with no air?

I'm drowning, baby... I feel nothing inside of me... It's like a huge hole growing faster and faster... The pain is tearing me apart. Try to catch some air, vainly.
Love can hurt so bad. My chest is killing me. My love is now a tumor taking over my heart. I wanna shout, I wanna run from the pain, but I just can't.
I can only cry. Tears of distilled pain and misery. My sore eyes are blind. Can't see anything but pain, can't feel anything but sorrow.

I'm in despair. Tonight. Whish you were here.

terça-feira, julho 06, 2010

Conversa com o coração

Ah, coração vadio... Por que me trais assim? Quantas decepções serão necessárias mais? Por que ainda não endureceste? Sua mágoa espalha-se por meu corpo como câncer. Qual o tratamento, diga-me?

Por vezes tentei adestrar-te, corrigir-te ou mesmo reprimir-te. Como és rebelde. Ignorou minhas súplicas, minhas reprimendas, meus lamentos e até mesmo meus pedidos de ajuda.

Por favor, desta vez coopere. Preciso transformar-te em pedra, preciso blindar-te já que não posso arrancar-te de meu peito. Vamos combinar assim, eu tiro as dores de dentro de ti e tu não deixas mais ninguém entrar, ok?

Obrigada por tudo. Está na hora de descansar.

segunda-feira, julho 05, 2010

I know

So be it, I'm your crowbar
If that's what I am so far
Until you get out of this mess
And I will pretend
That I don't know of your sins
Until you are ready to confess
But all the time, all the time
I'll know, I'll know


And you can use my skin
To bury secrets in
And I will settle you down
And at my own suggestion
I will ask no questions
While I do my thing in the background
But all the time, all the time
I'll know, I'll know


Baby, I can't help you out while she's still around...

So for the time being, I'm being patient
And amidst this bitterness
If you'll just consider this
Even if it don't make sense all the time, give it time
And when the crowd becomes your burden
And you've early closed your curtains
I'll wait by the backstage door
While you try to find the lines to speak your mind
And pry it open, hoping for an encore


And if it gets too late for me to wait
For you to find you love me, and tell me so
It's ok, don't need to say it


(Fiona Apple)

quinta-feira, julho 01, 2010

Se eu tivesse um conselho a dar...

Estou cansada de repetir os mesmos erros. Sempre acreditei que devo proporcionar às outras pessoas o que gostaria que elas me proporcionassem. E, falando de amor, eu acredito sinceramente nisso.

Nos últimos quinze meses de minha vida tive a oportunidade de experimentar diversas situações, novas ou não, que me fizeram questionar crenças, certezas, dúvidas, hábitos, inseguranças. Muitas vezes a ajuda profissional me permitiu questionar e enxergar além do óbvio, ou até mesmo o óbvio que, de tão óbvio, me era invisível.

Aprendi a ser um pouco egoísta. Não egoísta no sentido de prejudicar alguém, mas egoísta no sentido de tentar evitar que eu permita que as situações e pessoas me prejudiquem. Falta muito para que eu atinja o equilíbrio nesse aspecto de minha vida, mas pelo menos já consigo identificar quando estou me machucando.

Culpa, responsabilidade exagerada, medo de magoar. Quantas e quantas vezes já me despedacei por causa desses sentimentos? Quantas vezes deixei de viver minha vida, escolher meu caminho? Privei-me de amizades e novas oportunidades? Incontáveis vezes...

Dói muito ver alguém querido sofrer. Arrasa o coração não segurar a mão, não emprestar o ombro, não estar ao lado. Mas é infinitamente pior quando fazemos isso por medo, culpa, responsabilidade maternal. Impedimos o outro de crescer, alimentamos a dependência por algo que já se tornou destrutivo aos dois.

Tenho uma certa tendência a me colocar nessas situações. Tenho tendência a ser egoísta comigo mesma, privando-me para fazer os outros mais felizes. Estou cansada.

Se eu tivesse que dar um conselho, seria este: seja feliz consigo mesmo, pense em você em primeiro lugar. A máxima de que precisamos estar bem para fazer o bem é válida. Dê-se por inteiro ao ser amado, mas nunca se flagele por ele.

sábado, junho 05, 2010

The only exception

When I was younger
I saw my daddy cry
And curse at the wind
He broke his own heart
And I watched
As he tried to reassemble it

And my momma swore that
She would never let herself forget
And that was the day that I promised
I'd never sing of love
If it does not exist

But darling,
You, are, the only exception
You, are, the only exception
You, are, the only exception
You, are, the only exception

Maybe I know, somewhere
Deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone
Keep a straight face

And I've always lived like this
Keeping a comfortable, distance
And up until now
I had sworn to myself that I'm
Content with loneliness
Because none of it was ever worth the risk

Well, You, are, the only exception
You, are, the only exception
You, are, the only exception
You, are, the only exception

I've got a tight grip on reality
But I can't
Let go of what's in front of me here
I know you're leaving
In the morning, when you wake up
Leave me with some kind of proof it's not a dream

You, are, the only exception
You, are, the only exception
You, are, the only exception
You, are, the only exception

And I'm on my way to believing
Oh, And I'm on my way to believing

(Paramore)

quarta-feira, junho 02, 2010

De todas as maneiras

Escolho caminhos tortuosos para trilhar, e aparentemente nunca o mais fácil. Ando, corro, tropeço, levanto, sento, choro. Não há como saber qual o caminho certo, se é que existe este tipo de definição. Oscilo entre o tentar voltar e o ir mais rápido. Quero paz mas não suporto parar. Quero parar mas não consigo ficar calma. Quero ficar calma, mas a mente não obedece.

Drugs don't work anymore... sinto-me bêbada quando estou sóbria, e lúcida quando estou dopada. O que deveria ser anormal está se tornando anormalmente normal. Não sei mais o que é não estar ansiosa, preocupada com algo. Não sei mais o que é ler um livro com calma, sem devaneios da mente. Não sei mais descansar o corpo, sem anestesiar a alma. A mistura perigosa de dor e prazer está me cansando além de meus limites.

No momento estou aqui, sentada frente ao computador, com uma grande interrogação nas mãos. Fugir do mundo para sozinha lamber minhas feridas? Ou compartilhar a cura, sabendo que irei ganhar novas feridas?

Confesso que em passado recente tentei as duas formas. Ambas dolorosamente inúteis. Sozinha, foi um tanto quanto vazio e desesperador. Compartilhando, acabei sangrando mais do que devia.

De todas as maneiras

De todas as maneiras
Que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coraçãao
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

(Chico Buarque)

segunda-feira, maio 24, 2010

Are you lonesome tonight?

Are you lonesome tonight?
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray to a bright summer day
When I kissed you and called you sweetheart?

Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Is your heart filled with pain?
Shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?

Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Is your heart filled with pain?
Shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?

(Norah Jones)

sábado, maio 22, 2010

Love is a losing game...

Todos os seres possuem a incrível capacidade de cometer os mesmos erros diversas vezes. Acho que a diferença de nós, humanos, é que inventamos mil desculpas para cometê-los novamente. "Ah, mas dessa vez é diferente.", "Não, não é a mesma coisa.", "Mas é claro que sei o que estou fazendo!"

Eu ouço histórias de diferentes pessoas, que não se parecem em nada em relação às suas vidas, caráter, personalidade, condição social, criação e o que mais eu puder listar, e as semelhanças nos problemas de relacionamento são muitas. Cada qual reage à sua maneira, utiliza as armas de que dispõe para resolver os conflitos, mas a essência é muito parecida. Assim como a terrível evolução da maioria das histórias. Felizes são os que conseguem ainda manter uma sincera amizade depois da tempestade.

E por que eu continuo insistindo? Acho que me apaixonei novamente, e parece até que eu conseguiria listar os capítulos do que vai acontecer, tal qual uma novela da Globo. E olha que não sigo novela...

"I cheated myself, like I Knew I would"

E a história se repete... uma atração inexplicável, uma sensação de estar no céu e no inferno ao mesmo tempo, o estômago revirando e o sorriso radiante. O olhar cúmplice, as histórias em comum, o toque desconcertante, o beijo inebriante, e a sensação de 'por que não nos encontramos antes?'.

E a história prossegue... o medo de se apaixonar, de se entregar e sofrer tudo de novo, a decisão de 'não vamos pensar nisso, vamos viver isso'. E a saudade cresce a cada encontro e a cada despedida, as horas tornam-se verdadeira tortura, uma ansiedade pelo toque, pelo cheiro, pelo abraço apertado.

"What kind of fuckery are we?"

E a história se repete? Rotina, ciúme, afastamento, perda de interesse, falta de paciência... cadê toda aquela admiração, aquela ânsia? Por que de repente começa a faltar tudo? Falta entendimento, atenção, libido, compreensão, carinho, cumplicidade... Por que de repente as manias e peculiaridades que eram tão interessantes tornam-se um fardo, um incômodo?

"Love is a losing game."

Não sei responder nada disso, tudo o que posso dizer é que já vivi tudo isso. E cansa. Dói. Deixa marcas. A cada tentativa, mais linhas no diário da vida. Mais maturidade, mais chances de fazer diferente da próxima vez. Mas também mais descrédito, mais desesperança.

"I told you I was trouble."