domingo, abril 26, 2009

Engolir ou Vomitar

Minha garganta dói. É sempre assim quando tento engolir algo maior do que posso suportar. Acordo sentindo uma felicidade melancólica ao ver o sol pendurado no céu azul.

Meu interior se revira enquanto meus olhos turvam. Triste ansiedade por nada. O frio que me envolve não está vindo lá de fora, eu sei. E esse vazio... sei que não sou só eu.

Passos errantes o dia todo. Acabo no mesmo lugar. Ainda não consigo engolir. Nem gritar. Só posso pular, cantar, dançar. E acabo exausta no mesmo lugar. Meu dia não tem fim.

A tosse e os engasgos que nutriram a insônia me acompanham. Sabem que ainda não engoli. E não têm intenção de ir embora. Vão ficar por aqui, junto com o ardor e a dor.

Insisto em mostrar que não há nada para sair de mim. Mas os espasmos não ligam, querem expulsar algo. O que querem expulsar? O que está completando meu vazio? O que está esvaziando meu ser?

Chegue mais perto, dúvida. E me chicoteie com sua certeza. Que eu já não posso mais duvidar. Nem estar certa. Quero engolir ou vomitar.

Sou meu próprio cafuné

Eu sou meu próprio pranto, meu acalanto, a mão que fere e resgata. Sou meu próprio armário de segredos escondidos e sonhos guardados. Sou meu berço e meu túmulo, a letra na minha epígrafe e na minha lápide.

Sou meu próprio algoz, desferindo golpes cruéis de compaixão. Ou meu próprio guerreiro, resgatando mistérios renegados. Sou a briga, a discussão, a inquisição. Sou brisa, alento, tempestade. E sou meu próprio furacão.

Sou minha própria justiça e condenação. Sou minha própria absolvição e perdão. Sou cura, sou doença. Sou minha própria crença. Sou doçura e amargor. Sou minha própria dor.

E quando, vencida, deito exausta.. sou meu próprio cafuné.

Em (insônia) 25.04.09

sábado, abril 25, 2009

Sua Estupidez

Meu bem, meu bem
Você tem que acreditar em mim
Ninguém pode destruir assim
Um grande amor
Não dê ouvidos à maldade alheia e creia
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo
Meu bem, meu bem
Use a inteligência uma vez só
Quantos idiotas vivem só
Sem ter amor
E você vai ficar também sozinha, eu sei porque,
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo
Quantas vezes eu tentei falar
Que no mundo não há mais lugar
Pra quem toma decisões na vida sem pensar
Conte ao menos até três
Se precisar conte outra vez
Pense outra vez
Meu bem, meu bem, meu bem, eu te amo

Meu bem, meu bem
Sua incompreensão já é demais
Nunca vi alguém tão incapaz
De compreender
Que o meu amor é bem maior que tudo que existe
Mas sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo
Eu te amo
Eu te amo

(Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

O que eu ofereço

Uma vez alguém perguntou o que eu tinha para oferecer. Eu disse a esse alguém que ele não tinha a menor ideia. E é claro que não tinha. O que ofereço é algo puro, intenso e delicado. É sincero, profundo e abundante. Mas também frágil e finito. Sim, transpassa suposições. Não adianta tentar entender ou ignorar. O que eu ofereço simplesmente persiste. Precisa ser experimentado, vivido, alimentado, compartilhado. Não é algo que se peça, ou se exija, ou se finja. É algo que se doa sem ninguém pedir. E quando vivenciado, inesquecível. O que eu ofereço cuida, protege, briga e acalenta. É capaz das maiores loucuras, mas também das melhores intenções.
Ele é finito, mas a fonte é inesgotável. O ciclo termina. E renasce para um novo alguém. Um alguém que saiba receber, que aceite sentir o mesmo, que não negue o óbvio. Um alguém com coragem de viver o que ofereço. Que aprecie uma risada gostosa, um abraço apertado, uma lágrima sincera, um carinho sem hora, um olhar cúmplice, um beijo terno, um suspiro descompromissado, um agrado sem por quê, um sonho compartilhado, um toque indecente, uma palavra amável, um gesto oportuno.
Alguém?

quarta-feira, abril 22, 2009

A Despedida

A despedida não foi tão ruim quanto eu imaginei. Nem tão boa. Foi o que tinha que ser. Saudade, dúvida, afastamento e proximidade calculados. Um sorriso, um olhar. Um gesto contido, um beijo descuidado. Uma brincadeira, uma afirmação. As dúvidas vão embora. Sigo em frente. Melhor que antes, mais convencida de que não sou a exceção. E a regra é clara: ele não está tão a fim de você. Sem meias palavras, sem interpretações do óbvio. O momento em que um não é simplesmente... um não. Estou em paz.
Estava falando de amor. Nada mais.


Falando de Amor


Eu podia ser seu espinho
Ser a pedra no seu caminho
Seu ciúme doentio
Mas eu estou falando de amor
Eu podia ser sua tara
A ferida que nunca sara
Te humilhar, te dar na cara
Mas eu estou falando de amor

Eu estou falando de amor
E não da sua doença
Falando de amor
Eu estou falando de amor
E não do que você pensa
Falando de amor

Eu podia ter o segredo
Pra te transformar num brinquedo
E te deixar morrendo de medo
Mas eu estou falando de amor
Eu podia ser seu escravo
Pra você deixar de quatro
Me fazer de gato e sapato
Mas eu estou falando de amor

Eu estou falando de amor
E não da sua doença
Falando de amor
Eu estou falando de amor
E não do que você pensa
Falando de amor

Eu podia ser um mistério
E viver cercado de estórias
Só te olhar do jeito mais sério
Mas eu estou falando de amor
Eu podia ser a ternura
Sem desejo, beijo, nem sexo
Ser somente a história mais pura
Mas eu estou falando de amor

(Leoni)

sábado, abril 11, 2009

Caixa de Pandora

É impressionante, mas quando estamos apaixonados as coisas bregas de repente começam a fazer sentido. Coisas como ‘te amo pra sempre’, ‘você me completa’ e ‘não vivo sem você’ subitamente se tornam verdades irrefutáveis. Mentimos e acreditamos piamente em nossas mentiras. Pior: somos felizes assim, mesmo que por pouco tempo. Há algo mais grotesco do que olhar nos olhos de alguém profundamente apaixonado e dizer: ‘sinto muito, mas acho que a gente não vai dar certo’? Dói dizer isso, dói ouvir isso. Mas parece que não cansamos de buscar novamente aquele momento em que acreditamos em ‘te amo pra sempre’, ‘você me completa’ e ‘não vivo sem você’... Dizem que na caixa de Pandora só há um mal guardado, e esse vale por todos. Chama-se Esperança.

terça-feira, abril 07, 2009

Você e a Noite Escura

Um pouco de lirismo para essa noite escura....

Às vezes eu me sinto um fantasma
Arrancando flores no jardim
À meia- noite
Penso em você e sigo despedaçando
Pétalas ao vento
Na tempestade
Pétalas vermelhas
Tô com saudade
De você, de você
E as ondas vêm me cobrir na noite escura
E as ondas vêm me cobrir na noite escura
Às vezes eu não sei se é a noite
Ou se é a vontade de te ter agora
Agora
Eu penso em você e sinto a tempestade
Desabar por dentro e por fora
Eu penso em você e sinto toda a vontade do mundo
De te ter agora, agora
Você
Agora

(Lobão)

Noite Escura

Noite escura de lua quase cheia, eu num ônibus, longe de tudo.
Música nos ouvidos, óculos escuros e lágrimas nos olhos, mais salgadas do que meu corpo embebido em maresia.
Pergunto-me: sua alma é livre?

Senti algo me prendendo fortemente hoje, e não foi apenas por não ter como fugir de uma situação sem contrariar ou aborrecer os demais. Era algo além, e mais profundo. Era algo em mim de tempos imemoriais. Forço a lembrança, nada vem. Lembro-me pequena polindo as grades de minha gaiola, mas quando isso começou exatamente?

Nem em sonhos consigo sair da gaiola. Isso tem me sufocado. Por anos. Por uma vida. Dou meus passeios, mas sempre volto, o que adianta? Se essa é a minha referência, como criar asas? Luto intensamente com meu íntimo, mas ando cansada dessa batalha. Não me dou por vencida; não me aguento em pé. Carrego sempre os dois lados da medalha comigo.