domingo, maio 31, 2009

Propriedade

Liberte-se e liberte seu amor.

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você." [atribuído a Mário Quintana - autoria não comprovada por mim]

Se amor tivesse alguma coisa a ver com posse ou propriedade, no mínimo você teria que pagar IPTU. Pense nisso antes de querer alguém como seu objeto pessoal. Formalmente ou não - sim, há pessoas que não formalizam, mas querem te prender da mesma forma.

Se algum dia meu amor sufocou, a vítima fui eu, de minha própria imaturidade. E se algum dia o amor de alguém me sufocou, a vítima também fui eu, de minha própria insegurança.

Basta! Não há necessidade de vítimas no amor. Mas se for para morrer... que seja de amor!

(eu, num dia em que tudo e todos me pertencem... sem posse... só amor)

domingo, maio 24, 2009

Canção de Pedroca

Para você, meu amigo, em homenagem a nossas risadas insanas das insanidades da vida.

Quando nos apaixonamos
Poça d'água é chafariz
Ao olhar o céu de Ramos
Vê-se as luzes de Paris

No verão é uma delícia
A brisa fresca de Bangu
Mesmo um cabo de polícia
Só nos diz merci beaucoup

Eu ouço um samba de breque
Com Maurice Chevalier
Bebo com Toulouse Lautrec
No bar do Caxinguelê

Daí ninguém mais estranha
O Louvre na Praça Mauá
E o borbulhar de champanha
Num gole de guaraná

Cascadura é Rive Gauche
O Mangue é Champs Elisées
Até mesmo um bate-coxa
Faz lembrar um pas-de-deux
Purê de batata roxa
Parece marron glacé

(Chico Buarque / Francis Hime)

Almost



Rehab almost done. Can't love what kills me.
And can't kill what I love. But I can let time do its work.
Almost there.

domingo, maio 17, 2009

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? – me perguntarão.
– Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? – Tudo. Que desejas? – Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.

(Cecília Meireles)

quinta-feira, maio 14, 2009

A Mistake

I'm gonna make a mistake
I'm gonna do it on purpose
I'm gonna waste my time
'Cause I'm full as a tick
And I'm scratching at the surface
And what I find is mine
And when the day is done, and I look back
And the fact is I had fun, fumbling around


All the advice I shunned, and I ran
Where they told me not to run, but I sure had fun
So I'm gonna fuck it up again
I'm gonna do another detour
Unpave my path
And if you want to make sense
Whatcha looking at me for?
I'm no good at math
And when I find my way back
The fact is I just may stay, or I may not
I've acquired quite a taste
For a well-made mistake
I want to mistake, why can't I make a mistake?
I'm always doing what I think I should
Almost always doing everybody good
Why?
Do I want to do right?
Of course!
But do I really want to feel I'm forced to answer you?
Hell, no!
I've acquired quite a taste
For a well-made mistake
I want to make a mistake, why can't I make a mistake?
I'm always doing what I think I should
Almost always doing everybody good
Why?

(Fiona Apple)

terça-feira, maio 12, 2009

Sexy Lady


Momento sexy lady, porque todos nós temos várias facetas.

I’m like spice and
if you can’t deal with it, don’t even try me
Now I’m what men desire
cause I’m tired of being smart
Good girls are good girls
but bad ones get more from pleasure
I’m not ashamed of what can I get with beauty
I’m ashamed of wasting my time with foolish ideals
So, watch me now going real low
Feel my hips shaking
Lose your breath and wish my attention
Watch me, but don’t you dare touch me
cause I’ll never be yours
Now I’m a sexy lady
cause I’m tired of being smart
And you, rs… you are just toys
that fill my desires and fantasies
My sensual side wants more
of your devotional begs
But don’t you ever honey me
cause I’m not your babe
Now I’m just like you: a player
a delicious one… danilicious ;-)

Lembrete

Lembrete para mim mesma: deixar de ser idiota.

segunda-feira, maio 11, 2009

Rehab

Hoje dei entrada na reabilitação. Como todos os viciados, um pouco tarde demais. Como todos os viciados, só após muito sofrimento. Como todos os viciados, após o mal do corpo chegar à alma e vice-versa. Mas se houve mudança, há esperança. Não que eu goste de esperança. Prefiro fatos, resultados, ações. Então é assim que acordo hoje: analisando fatos, colhendo resultados, pondo em prática ações.

"It's like I checked into rehab
And baby, you're my disease" Justin Timberlake

No primeiro dia as coisas não são tão difíceis. Há a vontade de mudar. Há a perspectiva do amanhã sob outra perspectiva. E isso anestesia um pouco todo o incômodo e dor de mudar. Mas apesar de toda dor, mudar é preciso, é premente, é urgente.
Algo começou devagar, assim, como quem não vai alterar nada. Mas as palavras escritas, as atitudes repetitivas, os sinais emitidos não deixaram dúvida. Chegou o momento.

"Sofro, mas eu vou te libertar." Raul Seixas

Minha clínica será a própria vida. Não tenho como fugir à realidade. Pensei em me esconder, em fugir, em sumir. Vã crença de que isso amainaria alguma angústia. Facilitaria o começo, mas não garantiria a continuidade do sucesso. A empreitada é longa, dolorosa e difícil. Mas vários já seguiram esse caminho. É a saída inevitável após tantas tentativas mal-sucedidas.

"Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado" Chico Buarque

Agora será assim: pó de pirlimpimpim

domingo, maio 10, 2009

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)


Isso vai mudar. Já já.

sábado, maio 09, 2009

Eternamente esse gosto de nunca e de sempre



Esquisito. Dia esquisito. Sentimento esquisito.
Palavras esquisitas que tive que ouvir.
Sons esquisitos que tentei ouvir.
Mundo esquisito que ora me acolhe ora me engole.
Sucumbi hoje. Chorei hoje. Sorri hoje.
Ri de coisas sérias e verti lágrimas por coisas bobas.
Desejei dizer tudo o que sinto. Desejei me esconder da vida.
Sensação de que pode ser a última vez.
Preciso dizer logo, algo me diz que não haverá mais chance.
Não quero mais sentir esse sentimento esquisito.
Não quero mais achar que não há outra chance.
"Eternamente esse gosto de nunca e de sempre.
"

Ah, sim, a velha poesia...

Poesia, a minha velha amiga...
eu entrego-lhe tudo
a que os outros não dão importância nenhuma...
a saber:
o silêncio dos velhos corredores
uma esquina
uma lua
(porque há muitas, muitas luas...)
o primeiro olhar daquela primeira namorada
que ainda ilumina, ó alma,
como uma tênue luz de lamparina,
a tua câmara de horrores.
E os grilos?
Não estão ouvindo lá fora, os grilos?
Sim, os grilos...
Os grilos são os poetas mortos.

Entrego-lhes grilos aos milhões um lápis verde um retrato
amarelecido um velho ovo de costura os teus pecados
as reivindicações as explicações - menos
o dar de ombros e os risos contidos
mas
todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte
as explosões de cólera
o ranger de dentes
as alegrias agudas até o grito
a dança dos ossos...

Pois bem,
às vezes
de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que
parece que nada tem a ver com os ingredientes mas que
tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse
gosto de nunca e de sempre.

(Mario Quintana)

Dumb

I'm not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But having fun
I think I'm dumb
Maybe just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy

My heart is broke
But I have some glue
Help me inhale
And mend it with you
We'll flow around
And hang out on clouds
Then we'll come down
And I have a hangover
Have a hangover
Have a hangover
Have a hangover

Skin the sun
Fall asleep
Wish away
The soul is cheap
Lesson learned
Wish me luck
Soothe the burn
Wake me up

I'm not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But having fun
I think I'm dumb
Maybe just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy
Think I'm just happy

I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb
I think I'm dumb

(Kurt Cobain)

sexta-feira, maio 08, 2009

Chegar ao fundo

Gosto de chegar ao fundo para ter impulso suficiente.

quinta-feira, maio 07, 2009

Nunca vou te perdoar por isso...

Menino, nunca vou te perdoar por isso
Por engaiolar meu amor
Por podá-lo como a um bonsai
ao seu bel-prazer
Brinca com ele como brincarias
com um filhotinho
Dá o brinquedo e tira
confunde, engana, despista
Mas acarinha e diz que ama
te preocupas e observas meus passos
Menino, por que bagunças meu coração?
Não me quer perto, não me quer longe
Não me quer para agora, não me quer para sempre
E não me quer em outros braços
outros beijos, outros laços
Por que não me deixa ir?
Menino, nunca vou te perdoar por isso

Em 06.05.09

domingo, maio 03, 2009

Eis a questão

Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.

(Shakespeare - Hamlet)