sexta-feira, julho 24, 2009

Sei lá, a vida tem sempre razão

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
Só sei que ela está com a razão

A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não

Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

(Vinicius de Moraes)

quinta-feira, julho 09, 2009

Cicatrizes

Você criou uma redoma em torno de si. Uma verdadeira muralha. Por algum tempo imaginei que pudesse transpô-la, e em minhas tentativas me machuquei bastante. Em momentos acreditei que estava progredindo rumo ao topo. Em outros, porém, você reforçava suas defesas, e no arame farpado deixei pedaços de minha carne. Não sou do tipo que se entrega sem lutar, ou que desiste sem tentar. Entretanto, percebi que não era páreo para seu muro medieval. Não conseguiria entrar a não ser que uma porta fosse aberta. Você não abriu. O tempo passou. Agora não adiantam portas abertas, pois não quero mais entrar. E quanto as minhas cicatrizes, não se preocupe, elas desaparecerão.

segunda-feira, julho 06, 2009

Gostar de quem gosta de mim

Há um tempo decidi só gostar de quem gosta de mim. Não é como se eu pudesse programar sentimentos, e sim evitar nutrir afeição exagerada por aqueles que não me dão o devido valor. Então, com base nessa decisão, comecei um processo de te matar dentro de mim. Te sufoquei até você agonizar. Fiquei satisfeita com o resultado, foi melhor do que esperava – tive paz no coração. E assim segui, dia após dia, até descobrir que estava enganada. Pude ver nos seus olhos o quanto gosta de mim, e não estou falando apenas de amizade. As suas palavras dizem não, mas seus gestos, expressões, seu comportamento, sua insistência em estar sempre por perto – tudo indica o sim. E pude constatar, não sem medo ou frustração, que te deixei agonizante dentro de mim, mas você sobreviveu.

Em 16.06.09


E agora você finalmente optou pelo suicídio. Obrigada.

Em 03.07.09


Em algum momento terei paz. Rehab again.
No momento, vagando por submundos de imagens milimetricamente elaboradas, palavras artificialmente lançadas, gestos ridiculamente calculados. Um desfile de modas, exagerado e fresco como a juventude. Vazio e fútil - por momentos senti-me assim também, envolta em um clima superficial no qual ninguém ganha nada. E para também não perder, mergulhei fundo, chafurdei na lama de luxúria, ebriedade e crueldade. Sem meio termo. Sem consciência. Sem medo. Vingar meu espírito com o corpo. Fazer sofrer, ignorar, usar, descartar. Um ciclo no qual as pessoas se entretêm e acabam presas, seduzidas por uma realidade desfigurada. Alguém te machuca, você machuca alguém. Alguém te descarta, você descarta alguém. Na corda bamba. Roleta russa. Julgo severamente e aceito generosamente. Diversão casual. Risadas desconexas, pensamentos idem, mas o objetivo é comum. Diversão superficial. Satisfaz como um carinho momentâneo, dói como um leve arranhão. Apenas sigo.