quarta-feira, outubro 19, 2011

Confissões

Devo confessar minha fraqueza, minha fragilidade em ansiar pela conquista, pelo triunfo, ao mesmo tempo em que minha insegurança torna-me refém de mim mesma. Detenho alguns poderes, e todos parecem subjugados pela paixão. Lágrimas afloram quando penso em como sou cativa do amor. É irresistível amar. É dolorida a ânsia por ser amada. É confusa a troca entre dois amantes. E, muitas vezes, é completa.

Sensação de proteção, paz, serenidade. Corpos exaustos, pingando um misto de ternura e paixão. Uso e sou usada, domo e sou domada. Amo. Enlouqueço. Descanso. Um sorriso vago e sereno toma conta de mim. Estou satisfeita, plena. O cheiro do amor me envolve e aprisiona. Sou feliz. Feliz no mundo que criei para mim.

(em 03.07.11)

O que sou eu? Boa parte de minha sensualidade não estava diluída nos êxtases da escrita, da beleza, de sensações sem clímax? Não passo a maior parte do tempo em suspense quanto ao mundo ou à margem? Será que não sou outro Rimbaud, capaz apenas de inocência ou de obscenidades, sem nuances humanas?

Anaïs Nin


Ao longo de minha batalha para esposar a vida, violentei alguma parte de mim que não compreendo.

Anaïs Nin

terça-feira, outubro 18, 2011

A Mulher de Trinta Anos

Tomando de empréstimo o título de famoso livro de Balzac, descrevo a minha percepção dos trinta anos. Época em que já temos tempo suficiente de vida para aprendermos lições e ainda tempo o bastante para cometermos alguns erros novamente.

Segurança de mulher, esperança de menina. Insegurança de menina, racionalidade de mulher. Sensações conflitantes. O corpo dá sinais de cansaço e a mente sente-se ainda jovem e ávida por novidades. De todos os lados chegam percepções desconexas: 'já vivi muito'; 'tenho muito a viver'.

Dos vários ciclos de construção e desconstrução da vida de uma pessoa, este parece ser o mais devastador. Olho para certezas antigas como se olhasse para jornal velho. Vejo sonhos passados perderem o sentido, ou tornarem-se irreais.

Procuro significado ou continuidade nos acontecimentos e não os encontro. Manias enfraquecem, mitos se perdem. Duvido de minhas convicções, testo os limites imemorialmente impostos por mim mesma, vejo que há vida além do meu quintal. E agora? Novas crenças, metas, objetivos?

Não, não tão rápido. Vislumbro um mundo de possibilidades, mas a devastação foi grande o suficiente para aturdir e nublar minhas vontades. Preciso de material para reconstruir, mas tenho em minhas mãos dúvidas e incertezas. A mulher de trinta anos tem certeza de que precisa e consegue chegar a algum lugar, mas ainda não sabe ao certo onde fica esse lugar. O paradoxo paralisa. A inquietação impulsiona.

Novos sonhos, novas crenças, manias e mitos. Quem entende a mulher de trinta anos?

(em 25.03.11)

Escolhas & Negação

Tenho feito grandes escolhas na vida, apesar de insistir em fingir que as escolhas me fizeram.

(em 04.05.11)

Talvez uma forma de não sentir tanto as mudanças... talvez uma forma de não me sentir responsável por elas... é como se eu às vezes sentasse diante de uma tv desligada e, ao ver minha imagem refletida, assistisse a minha vida passando... mas sei que não é assim... nunca menospreze o poder da negação.