Existe o certo, o errado e todo o resto. (Daniel Oliveira - filme Cazuza)
Sempre vivi com o estigma de certo e errado. O peso era enorme e sufocante. Não dava um passo sem pesar os dois lados. A repressão fazia com que a imaginação voasse, e a inteligência se desenvolvesse. Tornei-me traça de livros. Observadora do mundo. Contestadora silenciosa. Palestrante muda. Escritora sem papel. Mas a culpa massacrava-me. Por que questionava assuntos sobre os quais ninguém falava? Por que elaborava questões que nunca tinham resposta?
Obviamente, com o passar dos anos, tornei-me uma revoltada. Não revoltada pela violência, e sim pelas idéias. Era como se debatesse internamente qualquer discussão. Questionava, defendia e acusava. Conseguia ser defesa e promotoria ao mesmo tempo. E não entendia. Como pode haver tamanha dualidade?
Confesso que essa falta de certeza ainda me deixa desconfortável. Seria mais fácil se tivéssemos mais certezas na vida. Infelizmente, quanto mais certezas, mais inflexibilidade e, consequentemente, dor. A vida não é tão previsível quanto gostaríamos.
O caminho do questionamento foi bem cansativo. Talvez tenha até confundido algumas pessoas. Mas eu também estava tentando chegar a algum lugar. Sempre me recolhi em momentos difíceis. Acho que tinha dificuldade de compartilhar quando o problema era realmente profundo. Até hoje, inclusive. Prefiro o silêncio. Prefiro a solidão.
Nos meus altos e baixos, tem uma coisa com a qual não me conformo: não ter a oportunidade nem de errar. Isso me mata. Corta a árvore pela raiz. Se eu quiser acertar, pelo menos me dê a chance de errar. Essa história de ‘tenho medo’, de ‘não quero errar de novo’ acaba comigo. Eu tenho tanto a oferecer, e certas pessoas simplesmente negam pelo medo do novo. Acredito que essa seja a prova mais difícil para mim.
Eu tento. Sou amiga. Sou confidente. Sou amante. Sou psicóloga. Sou filósofa e escritora. Sou mulher. Mas, contra o pavor do novo, ninguém pode. Eu converso. Eu me calo. Eu ouço. Mas não converto ninguém. Cada um segue o próprio coração ou razão. Cada um tem seu tempo de aprendizado. Difícil é esperar quando se gosta. Angústia infinita. Impotência desesperadora.
Quero aprender, só não pretendia que fosse um processo tão doloroso.
òtimo texto..
ResponderExcluiradorei..
te adoro..