Eu passei horas infindáveis, dias incalculáveis, semanas indescritíveis, meses inimagináveis apenas... pensando em você. Desejando você com uma força maior do que eu supunha ter. Transbordando em lágrimas de modo recorrente, tendo sonhos ao repassar incansavelmente o trecho de música "eu só queria me casar / com alguém igual a você". Era você e essa música que povoavam meus minutos de consciência. Tanto, tão profundamente, que precisei ficar inconsciente.
Fiquei em um estado de suspensão, fiquei em coma, fiquei alheia ao mundo. Acreditei que não fosse voltar. Acreditei que tudo continuaria eternamente em tons cinzentos. E, num dia qualquer, em um momento qualquer, eu vi o sol. Sim, eu o vi literalmente, resplandecente num céu azul perfeito, e fui à praia sozinha. Sozinha, mas não mais solitária. Tímida, mas confiante. Devagar, mas na direção certa. Trêmula, mas a passos firmes.
E assim, dia após dia, semana após semana, eu voltei a enxergar as cores. E assim, quando eu não esperava, você me enxergou. Abriu a cortina que nos distanciava. Se aproximou receoso, vacilante, inseguro. E, quando me estendeu a mão, eu a mordi. Não sei se por raiva, mágoa ou por não querer te perder. Mas a mordi. E senti o gosto de meu próprio sangue.
(em 10.05.12)
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