quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Sempre passa

Você já se sentiu como se preferisse passar mais tempo com outra pessoa do que com si mesmo? E quando a falta se torna angustiante como se o próprio ar faltasse? Quando a saudade se transforma em dor física, os minutos escoando lentos como anos, e eu a me perguntar o que estou esperando.

Mesmo sabendo que amanhã lembrarei de ti com um olhar carinhoso e um sorriso calmo e singelo nos lábios, é o hoje que me desatina. É o querer ver chegar amanhã, e se te encontrarei em alguma dobra de meu tempo. É o antes e o depois fundindo-se, sem ter tempo para o agora.

Pare! Espere! - grita minha metade lúcida. Avance! Viva! - grita a outra , fingindo nada temer. Ao cair de todas as noites, nos momentos mais íntimos, quem falará mais alto? Sinto-me acanhada, desprotegida. Sinto-me confiante, esperançosa. Sinto-me confusa, desconcertada. Sinto-me tranquila, o tempo passa.

E nada passa. E tudo passa. Sempre

(em 01.02.11)

3 comentários:

  1. Diante desta leitura são dois os sorrisos que me surgem. Um para a identificação deste primeiro parágrafo, outro para esta, este, ou seja qual for o pronome capaz de definir esta sensação.

    É verdade que só quem sente e lembra que sabe o que você está tentando descrever.
    Bem me lembro quando cada passo, cada vivencia, cada atitude era passada numa câmera tão lenta quanto seria necessário para poder, diante da ausência desta minha pessoa, de ser tão detalhista quanto eu seria apto a descrever depois.
    Talvez este seja o único momento em que nos não apresentamos nenhum traço de egoísmo.

    É tão vazio, tão solitário, tão silencioso sentir esta necessidade de outro assumir seu tempo; quando esta falta do outro torna tão rarefeita nossa atmosfera; quando esta saudade é maior que todas as impressões que podem surgir.

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  2. Amar desta forma é visitar o algo além. Uma espada inofensiva, um escudo infantil...e lá se vai você achando que pode contra tudo e contra todos.
    Lendo sobre sua lamina lembrei(lembra?) da rua sem casas...

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  3. O caminhar sozinho é uma eterna rua sem casas...

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