sexta-feira, julho 20, 2012

Repetitivos

Eu não sou santa. Eu erro. Eu errei. Minhas palavras muitas vezes são duras e afiadas, machucam como punhais. Irresistível dizer o que penso, na intensidade em que sinto. Sei que não dá para apagar ou fazer esquecer a palavra lançada. Sei que a ferida aberta demora a cicatrizar. Sei porque também sofro. Sei porque ouvi muito o que não queria, ainda que fosse um silêncio devastador.

Ainda assim, falo. Escrevo. Transbordo em caneta e papel, em saliva e suor. Geralmente não sou compreendida, apesar das palavras de incentivo e dos olhares de cumplicidade. Talvez às vezes esse seja o motivo de me sentir tão só. Mas conforto-me nos braços dos grandes escritores, poetas, filósofos. Vejo como nós, seres humanos, somos pequenos e repetitivos. Diferentes gerações, realidades, culturas e, ainda assim, iguais. As situações se repetem, os estereótipos se desvelam. Mudam os nomes, endereços, idades, países. E, ainda assim, repetitivos.

Devo continuar me repetindo?

(em 16.07.12)

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