terça-feira, outubro 18, 2011

A Mulher de Trinta Anos

Tomando de empréstimo o título de famoso livro de Balzac, descrevo a minha percepção dos trinta anos. Época em que já temos tempo suficiente de vida para aprendermos lições e ainda tempo o bastante para cometermos alguns erros novamente.

Segurança de mulher, esperança de menina. Insegurança de menina, racionalidade de mulher. Sensações conflitantes. O corpo dá sinais de cansaço e a mente sente-se ainda jovem e ávida por novidades. De todos os lados chegam percepções desconexas: 'já vivi muito'; 'tenho muito a viver'.

Dos vários ciclos de construção e desconstrução da vida de uma pessoa, este parece ser o mais devastador. Olho para certezas antigas como se olhasse para jornal velho. Vejo sonhos passados perderem o sentido, ou tornarem-se irreais.

Procuro significado ou continuidade nos acontecimentos e não os encontro. Manias enfraquecem, mitos se perdem. Duvido de minhas convicções, testo os limites imemorialmente impostos por mim mesma, vejo que há vida além do meu quintal. E agora? Novas crenças, metas, objetivos?

Não, não tão rápido. Vislumbro um mundo de possibilidades, mas a devastação foi grande o suficiente para aturdir e nublar minhas vontades. Preciso de material para reconstruir, mas tenho em minhas mãos dúvidas e incertezas. A mulher de trinta anos tem certeza de que precisa e consegue chegar a algum lugar, mas ainda não sabe ao certo onde fica esse lugar. O paradoxo paralisa. A inquietação impulsiona.

Novos sonhos, novas crenças, manias e mitos. Quem entende a mulher de trinta anos?

(em 25.03.11)

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