domingo, janeiro 18, 2009

Corpo Estranho

Desde que minhas lágrimas secaram
Deixando caminhos sinuosos em meu rosto
Venho chorando com o corpo
Toda a carga de meu pesar
repousa em meu ventre
em minhas entranhas
em meus órgãos vitais
Estou esgotando as possibilidades
A alegria secou junto com as lágrimas
Mas a esperança ainda persiste
machucando-me um pouco mais
Sinto como se possuísse
um corpo estranho dentro do meu
Apodrecendo, contaminando
sufocando o fluxo de vida
em minhas veias
Não consigo mutilar esse tumor
É parte de mim...
Se assim o fizer,
um pouco de mim
também será perdido
Esse é meu medo...
sei que isso vai acontecer
Inevitável essa mutilação
como a poda de uma planta
para que possa sobreviver
Ainda não tive coragem
de colocar o dedo nesta ferida
e fazer o necessário
Mas o momento está chegando
Estou exausta

Em 16.01.09

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