domingo, abril 24, 2005

Canteiros

Quando penso em você

fecho os olhos de saudade

Tenho tido muita coisa,

menos a felicidade

Correm os meus dedos longos

em versos tristes que invento

Nem aquilo a que me entrego

já me traz contentamento

Pode ser até manhã,

cedo claro feito dia

Mas nada do que me dizem

me faz sentir alegria

Eu só queria ter no mato

um gosto de framboesa

Prá correr entre os canteiros

e esconder minha tristeza

Que eu ainda sou bem moço

prá tanta tristeza

E deixemos de coisa,

cuidemos da vida,

Pois se não chega a morte

ou coisa parecida

E nos arrasta moço

sem ter visto a vida...

Fagner
Sobre poema de Cecília Meireles

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